Lançamento da Frente Holística – 18 de junho, às 14h em Brasília

É com grande alegria que convidamos a todos os terapeutas, entidades, associações e sindicatos ligados as terapias integrativas do Brasil para o relançamento da Frente Parlamentar Mista de Práticas Integrativas em Saúde – Frente Holística.

Dia 18 de junho, às 14h, no Plenário 14 da Câmara dos Deputados, Brasília/DF

Confirme presença pelo email cherini@giovanicherini.com O relançamento da Frente Holística se deve ao fato das frentes parlamentares serem arquivadas com a finalização de um mandato e necessitarem ser relançadas após o início de um mandato.

CONVITE FRENTE HOLISTICA-email

Práticas integrativas em saúde e medicina convencional são tema de debate na TV Câmara

O deputado Giovani Cherini deu a sua contribuição ao programa de debates Participação Popular, da TV Câmara, do dia 14/01/2015.

O tema desta edição são as complementariedades, relações e problemas que podem existir entre as práticas integrativas em saúde, popularmente chamada de “terapias alternativas” e a medicina convencional.

Cherini fala do seu trabalho sobre a Frente Parlamentar em Defesa das Práticas Integrativas em Saúde, a Frente Holística, bem como de alguns problemas sérios na forma de ver da gestão publica da saúde e de alguns setores.

Entre os temas abordados nas diferentes respostas e colocações do deputado, pode-se destacar:

  • A caminho da saúde no Brasil está equivocado, ele foca na doença, não na saúde.
  • Há a necessidade de um conselho federal de terapias complementares, regulamentação das práticas e formação dos terapeutas, padronização de cursos e formações, leis, etc.
  • O grande caminho para a saúde da população é a prevenção, as práticas integrativas tem um imenso papel preventivo e complementar, junto com a medicina convencional, pegando o melhor de ambas.
  • Diminuir as filas do SUS poderia ser um grande méritos das PIS, educando as pessoas, revertendo as doenças em suas fazes iniciais.
  • A aceitação das PIS pode ser estranha no início, mas depois dos resultados, passa a ter grande aceitação e procura.
  • Para mudar as PIC no SUS é necessário mudar o pensamento.
  • Alem do saber acadêmico, existem outros saberes, o da prática, o da experiência. Não existe espaço para a sabedoria e para outros conhecimentos, tendo diploma pode fazer tudo como bem entender. Eis um dos motivos para tantos escanda-los e corrupção neste meio.
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Busca por acupuntura triplica no SUS e em planos de saúde – saúde integral em foco

Como já comentado a crescente busca por práticas integrativas em saúde no SUS, mais uma notícias falando sobre a crescente busca por acupuntura. E Estado de São Paulo publicou matéria com entrevista, destacando o crescimento da busca pelo tratamento em unidades do SUS e também na rede privada, através da cobertura por planos de saúde.

A repórter chega a uma importante conclusão, entendendo que “a procura por um cuidado integral, que não apenas trate uma doença específica, mas trabalhe o corpo como um todo e promova a saúde e o bem-estar, é a principal razão para o crescimento dessas práticas”. Essa análise vem de encontro ao que temos falado na Frente Holística, que devemos rever o paradigma de saúde, especialmente do SUS, que foca na doença, e substituirmos por uma abordagem mais holística, que busque a prevenção e promoção da saúde, encontrando o equilíbrio natural.

Essa abordagem, muito mais que gerar um bem estar nos indivíduos que a vivem, pode ter significativos impactos na gestão pública, economizando significativos recursos financeiros e humanos a médio e longo prazo. Talvez seja possível dizer que para cada agulha aplicada, um comprimido é economizado, mas certo é que o bem estar pessoal e coletivo sai ganhando com as práticas integrativas em saúde!

Veja a matéria abaixo e diga o que você acha nos comentários e no Facebook.

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Acupuntura cresce na rede pública e em planos de saúde

Fabiana Cambricoli – O Estado de S. Paulo

 

Nas unidades do SUS em São Paulo, nº de sessões triplicou em 5 anos; busca por cuidado integral é uma das razões, diz especialista

 

Populares em clínicas particulares, a acupuntura e outras práticas da chamada medicina alternativa têm sido cada vez mais procuradas também por pacientes da rede pública e dos planos de saúde. Só nas unidades estaduais do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo, o número de sessões triplicou em cinco anos, passando de 81 mil, em 2008, para 247 mil em 2013, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

O aumento também foi observado nos postos do SUS em todo o Brasil, na rede pública municipal de São Paulo e em operadoras de planos de saúde.

Para especialistas e pacientes, a procura por um cuidado integral, que não apenas trate uma doença específica, mas trabalhe o corpo como um todo e promova a saúde e o bem-estar, é a principal razão para o crescimento dessas práticas.

“Esses conhecimentos milenares vêm tendo seus resultados comprovados cientificamente”, afirma Emilio Telesi Jr., coordenador da área técnica de Medicinas Tradicionais, Homeopatia e Práticas Integrativas de Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. “Com o aumento das doenças crônicas e a necessidade de utilização constante de remédios, as pessoas veem o quanto é importante cuidar do todo, mantendo um espaço para a saúde em suas vidas. E é um procedimento que proporciona bem-estar para os profissionais que executam também”, completa.

Melhora. Foi a acupuntura associada à massagem terapêutica e à meditação que permitiu que a nutricionista aposentada Akiko Hachiya Pinto, de 75 anos, superasse os diversos problemas físicos que foram surgindo após ela desenvolver uma depressão, há cinco anos.

Contra depressão. Akiko buscou auxílio na rede municipal
“Quando me aposentei, eu tinha vários planos, mas percebi que meu corpo, minha mente e minha condição financeira não permitiam que eu fizesse tudo o que sonhava e comecei a ficar deprimida. Só que isso teve reflexos no meu corpo. Tive pneumonia, gastrite e um problema no nervo da perna. Não conseguia mais andar”, conta ela.

Há cerca de seis meses, Akiko foi aconselhada por uma médica com quem tinha trabalhado a procurar o Centro de Referência em Homeopatia, Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas de Saúde da Prefeitura de São Paulo, na zona sul da capital.

“Comecei a fazer acupuntura e a passar com o homeopata também. A medicina oriental mexe com o sistema todo, faz com que você entenda o porquê de determinada dor. No meu caso, não adiantava tratar só as doenças, os sintomas, se eu não me cuidasse integralmente”, afirma a nutricionista, que voltou a andar graças ao tratamento com as agulhas.

“A acupuntura me ajudou muito. E me sinto melhor. Até fiz o almoço de Natal para a família. Respeitando meu ritmo, mas fiz”, comemora Akiko.

 

Como funciona um pronto-socorro de acupuntura do SUS?

A acupuntura é uma das mais conhecidas práticas integrativas no ocidente. Fonte de profundo estudo e pesquisa, ela ainda não tem uma “explicação científica” dentro do paradigma convencional da medicina, apesar de seus benefícios serem inquestionáveis quando aplicados por terapeutas devidamente qualificados.

A acupuntura não é uma técnica de longo prazo, como muitos podem pensar, ela também tem resultados imediatos, para casos de caráter mais emergencial, especialmente dores. O uso da mesma pode ser muito benéfico para o bem estar e qualidade de vida de pessoas com dores consideradas sem solução. O Hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (HSP-HU/Unifesp), chamado de Hospital São Paulo, tem um serviço de pronto-atendimento de acupuntura, algo único, gerenciado por uma equipe especial do Setor de Medicina Chinesa – Acupuntura do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT). Ativo desde 1992, o DOT desenvolveu o pronto-atendimento em acupuntura em 1998, sendo um espaço para aprendizado e pesquisa acadêmica e atendendo quase 100 pacientes diariamente.

Basta ser usuário do SUS para ter acesso ao atendimento, o qual dispensa encaminhamento médico ou agendar a consulta. Problemas do sistema musculoesquelético e dores viscerais como enxaqueca, cólica menstrual, estados emocionais, asma, bronquite, entre outros, podem procurar pela acupuntura. Já casos de caráter psiquiátricos ou cirúrgico não tem como ser atendidos. Saiba sobre horários e local no site do Hospital São Paulo.

A Frente Holística trabalha para promover e ampliar a adoção das práticas integrativas no SUS. Iniciativas de sucesso como essa do Hospital São Paulo são de grande valia para a adoção das práticas em outras unidades de saúde do SUS. A divulgação deste trabalho bem como os relatos dos terapeutas e pacientes dos benefícios são fundamentais para o sucesso e ampliação das Práticas integrativas em saúde.

 

Veja matéria que comenta e entrevista acupunturistas e pacientes, destacando o trabalho do Hospital São Paulo. Do portal IG Minha Saúde:

Como funciona o pronto-socorro de acupuntura do SUS

Atendimento no Hospital São Paulo dura cerca de dez minutos; é indicado para dor muscular, enxaqueca e cólica menstrual

É fascinante como uma mágica: depois que Maria Edi Tudéia, de 65 anos, esperou por alguns momentos no corredor do pronto atendimento de acupuntura do Hospital São Paulo, em SP, muito incomodada por conta de dores – ela sofre com dores na coluna, braço e nervo ciático – ela sai do consultório médico um sorriso aliviado no rosto e movimentando o braço, antes retraído por conta da dor, com naturalidade.

Os movimentos do braço de Maria Edi estavam limitados antes da sessão, por conta da dor. Em cinco minutos de ação das agulhas ela mostra que já pode se movimentar normalmente – sem dor. Foto de Elioenai Paes

Essa ‘magia’ não está em medicamentos analgésicos fortes que poderiam ter sido injetados em seu corpo, tampouco em comprimidos casuais concebidos pela indústria farmacêutica. Ela vem com minúsculas agulhas que, manipuladas durante oito segundos e mantidas no corpo de cinco a 10 minutos, trazem um efeito drástico de redução da dor. E o melhor: sem efeitos colaterais.

O pronto atendimento do Hospital São Paulo, que é bancado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é feito por médicos residentes em acupuntura, coordenados pelo Prof. Dr. Ysao Yamamura, chefe do setor de acupuntura e livre docente em medicina chinesa. Os resultados do trabalho do médico são visíveis de imediato: todos que entraram no consultório no momento em que a reportagem do iG estava acompanhando o procedimento relataram que a dor havia cessado ou diminuído muito. “As agulhas dão a sensação de algumas picadinhas de formigas, mas venho pesada e saio me sentindo leve”, comemora Sônia Maria de Barros, 61 anos.

Essa leveza se dá, segundo Yamamura, porque a acupuntura também promove a liberação de endorfina e serotonina, hormônios responsáveis pelo bem-estar e manutenção do humor.

E não são só dores na coluna que podem ser aliviadas pela técnica oriental milenar, mas também cólicas menstruais, enxaquecas, dores no joelho, quadris, ombros e todo o sistema músculo-esquelético.

“A acupuntura tradicional busca o equilíbrio do corpo humano em geral, também trabalhando sobre questões de ansiedade, além de outras. Aqui no Pronto Atendimento nós focamos na dor, e, por isso, usamos a técnica da agulha manipulada, que consiste em girar a agulha durante oito segundos, que faz o mesmo efeito do que deixar no paciente durante os 20 minutos”, explica Felipe Caldas, médico coordenador da preceptoria dos residentes.

O movimento de vai e vem da agulha, segundo ele, amplifica o efeito da acupuntura. “A agulha funciona como uma bateria, com 1.3 milivolts”, explica Caldas. “Os pontos de acupuntura são aqueles que têm acúmulo de terminações nervosas livres, então é como se pegasse a agulha e desse um pequeno choque no nervo”.

Esse choque, segundo Caldas, vai gerando estímulos ao longo de todo o nervo e fazendo com que o organismo libere substâncias que vão tirar a dor e doar uma sensação de bem-estar. E uma boa notícia: a acupuntura, segundo Yamamura, não tem contra indicações, podendo ser feita para qualquer idade, embora o Pronto Atendimento não atenda crianças “Elas são encaminhadas para o ambulatório do Hospital São Paulo, e a acupuntura para elas é só às quintas-feiras à tarde”, explica.

Serviço

Para quem está em São Paulo, é simples conseguir esse alívio da dor: o pronto atendimento de acupuntura fica aberto de segunda à sexta-feira, das 8h às 15h, na Rua Napoleão de Barros, 771, na Vila Clementino (próximo ao metrô Santa Cruz). As sessões são gratuitas, cobertas pelo SUS.

Terapias alternativas complementam tratamentos de saúde convencional

As Práticas Integrativas em Saúde estão para serem integradas ao já vasto conhecimento da medicina convencional, ampliando horizontes e mudando o paradigma de saúde vigente que foca manutenção da doença. Ao não abarcar o ser humano como um todo complexo e profundamente relacionado com o seu meio ambiental, emocional e espiritual, a medicina convencional tende a se focar em partes, sintomas, efeitos, não em causas. Foca na doença, não na promoção e manutenção da saúde.

Em um discurso sobre as Práticas Integrativas em Saúde, o deputado Giovani Cherini, presidente da Frente Holística, destaca o papel das terapias integrativas e da limitação do sistema de saúde atual devido ao paradigma vigente. Lei este trecho:

Esta Frente Parlamentar está sendo, sem dúvida, a grande contribuição deste Parlamento à saúde dos brasileiros, pois vai trabalhar para que a saúde integrativa – combinação da medicinal convencional e das terapias complementares – possa mudar a triste lógica existente no nosso País, que é tratar da doença como a doença já contraída, e não a saúde dos brasileiros, de forma preventiva.

E por que devem se integrar? Hoje a chamada medicina alopática é dominante no sistema de saúde do País. Concentra sua preocupação com a doença local, física, tumor, câncer, inflamação, inchação. Desconhece totalmente os princípios da origem das doenças. Não considera os sintomas energéticos, mentais e emocionais.

As novas doenças geradas pelos medicamentos, eufemisticamente chamadas de efeitos colaterais, são consideradas como causas novas e precisam de novos medicamentos. Há pessoas usando uma dezena de medicamentos químicos diariamente e, para piorar, várias vezes ao dia. Novas doenças surgidas após novos medicamentos são tratadas com outros medicamentos. Cria-se um ciclo vicioso e a doença aumenta cada vez mais. Partindo do princípio de que, por exemplo, a acupuntura, a meditação e a ioga ajudam a minimizar a dor, a ansiedade e até os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais, a saúde integrativa tem ganhado cada vez mais espaço em hospitais e centros de estudos.

 * grifos nossos

 Veja na matéria abaixo um exemplo de como a medicina convencional só tem a ganhar com as práticas integrativas. Os grifos em vermelho são nossos, para os pontos mais importantes.

Terapias alternativas complementam técnica convencional

Terapias alternativas têm sido cada vez mais utilizadas por pacientes para complementar tratamentos convencionais e até prevenir doenças. Entre as técnicas mais utilizadas estão o reiki e a acupuntura. Especialistas aconselham a interação entre as modalidades terapêuticas, mas salientam que o acompanhamento médico tradicional jamais deve ser abandonado.

Segundo Rosa Campanella, proprietária de uma clínica na Vila Bastos, em Santo André, a procura por esse tipo de recurso teve alta de 40% nos últimos três anos. Por mês, cerca de 400 pessoas passam por atendimento de reiki. Para os demais tratamentos, a demanda mensal gira em torno de 200 pessoas. “A maioria dos pacientes que nos procuram sofre com estresse e outras questões ligadas ao descontrole emocional”, comenta.

O médico Ricardo Monezi, pesquisador do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que a principal característica desse segmento da medicina é classificar o ser humano como “multidisciplinar”. “Não adianta tratar só da dimensão biológica. É preciso tratar questões psicológicas, sociais e até de espiritualidade.” O especialista esclarece que espiritualidade não tem ligação com a religião espírita. “Trata-se do conjunto de crenças que a pessoa tem, da fé em geral.”

Ao longo da última década, a nomenclatura dada a esse segmento da ciência foi alterada, passando de alternativa a complementar. Hoje, recebe o nome de medicina integrativa. “A palavra alternativa, em português, dá significado de exclusão. Não queremos que essas terapias excluam os tratamentos convencionais. Pelo contrário, queremos que haja um complemento.”

O reiki consiste na utilização das mãos para transmitir energia ao receptor, de modo a buscar o equilíbrio energético. Segundo Monezi, há quatro hipóteses para justificar a cura por meio dessa terapia. “A primeira é a relação do toque como promotor de reações fisiológicas que desencadeiam processos de saúde. Outro fator é a transmissão de energia, que poderia desenvolver a melhora.” O professor também aponta a relação interpessoal e a sensação de relaxamento fisiológico e psíquico como agentes responsáveis pela melhora dos pacientes.

Em 2006, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou portaria que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde). O texto recomenda às secretarias estaduais e municipais de Saúde que utilizem esse tipo de terapias na rede pública. Diversos hospitais particulares também já utilizam o reiki e a acupuntura nos pacientes internados. Caso do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, ambos na Capital. O documento também cita a homeopatia e a fitoterapia como recursos a serem aplicados.

PREVENÇÃO

Além da indicação das terapias integrativas como meio corretivo, esse tipo de tratamento também é recomendado como forma de prevenção. A professora Celene Armelini, 32 anos, é uma das que procurou o reiki sem apresentar qualquer sintoma de doenças. “Melhora a qualidade de vida e diminui a ansiedade. Me sinto mais calma e equilibrada depois que passo pela sessão”, reconhece. Ela frequenta a clínica há seis meses. Na primeira, foi indicada por uma terapeuta. “Estou evitando problemas futuros”, finaliza.

Pacientes destacam calma proporcionada

A aplicação do reiki é vista como positiva por pacientes que sofrem de transtornos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico. A técnica é vista como auxiliar ao tratamento convencional.

A terapeuta Márcia Villani, 60 anos, entrou em quadro depressivo no fim do ano passado, após ser diagnosticada com câncer de mama. Em seguida, surgiu o pânico. “Faço reiki desde novembro. Isso me trouxe lucidez sobre diversos aspectos”, garante. Agora, ela afirma que já consegue realizar coisas que não fazia durante as crises, como dirigir e sair de casa sozinha. Apesar da melhora, Márcia diz que não interrompeu a medicação prescrita pelo médico psiquiatra.

Mesma situação relata a professora aposentada Sandra Aparecida Vernucci, 58. “Me sinto mais forte, com menos sensação de agonia”, revela. Ela passa pelo tratamento há dois meses.

A psicanalista Rosa Campanella, proprietária de uma clínica em Santo André, salienta que, nos quadros de depressão e pânico, os pacientes também são submetidos a acompanhamento psicológico. “Em todos esses casos, sempre recomendamos que o tratamento médico deve ser continuado e que a medicação não deve ser abandonada sem orientação do profissional”, adverte.

Acupuntura é indicada para controlar diversos tipos de dores

O professor Edison Noboru Fujiki, responsável pela disciplina de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que a principal indicação da acupuntura é para o controle de diversos tipos de dores. “Essa terapia está muito relacionada à anestesia. Ajuda muito para diminuir processos inflamatórios, mas não dá resultado, por exemplo, em casos de infecção”, explica.

Segundo o ortopedista, a acupuntura funciona como gatilho, por meio de estímulos em pontos correspondentes às partes do corpo que se deseja atingir. No entanto, o processo não é indicado como meio único de tratamento em caso de problemas de origem orgânica. “Não adianta só tirar a dor, tem que atuar na causa.”

O especialista alerta que a acupuntura deve ser feita por profissionais especializados, com amplo conhecimento sobre a técnica. “Se for feito de forma inadequada terá efeitos colaterais. É como uma medicação errada”, compara. Segundo o especialista, a terapia foi reconhecida como modalidade médica há cerca de sete anos. Em algumas faculdades, diz Fujiki, a disciplina já faz parte da grade curricular.

Em maio, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) proibiu psicólogos de praticarem a acupuntura. O Conselho Federal de Psicologia havia autorizado em 2002 que os profissionais aplicassem o tratamento, o que gerou críticas por parte da comunidade médica.

Presente até na UTI, a acupuntura resolve dores sem solução

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A acupuntura é uma prática integrativa oriental milenar. Considera os canais de energia presentes no corpo humano e busca a sua harmonização, garantindo assim a saúde e bem estar do ser humano.

Já amplamente conhecida, a acupuntura é uma das práticas integrativas que mostra o seu valor já estando presente em diversas unidades de saúde pelo SUS. Estas experiências e acúmulo de conhecimento são de extrema riqueza para a Frente Holística. Com o objetivo de defender e divulgar tecnologias e técnicas existentes no campo das práticas integrativas, destacando seus benefícios, e incluir as Terapias Integrativas nos Programas de Saúde, exemplos como esses mostram a força e importância para prevenir doenças e evitar medicação em demasia.

Veja a notícia publicada no site do iG Minha Saúde sobre a acupuntura como alternativa a dores consideradas sem solução:

Acupuntura no SUS ajuda pacientes com dores sem solução e já está até na UTI

Em um ano, atendimentos pelo sistema público crescem 76%; agulhas já são usadas por médicos de várias especialidades, de ortopedistas a psiquiatras

Acupuntura no SUS é usada em pacientes com dores sem solução

As agulhadas usadas para aliviar a dor do motoqueiro ferido no trânsito e internado na UTI também são empregadas para tratar a perna da senhora que já passou por todos os médicos, sem resultados. Eles são exemplos de pacientes que estão entre os 1,2 milhão de atendimentos de acupuntura feitos no Sistema Único de Saúde (SUS) no último ano.

De acordo com um levantamento inédito feito pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), o total de consultas realizadas em 2011 – tabulados por meio do banco de dados do Ministério da Saúde – representa um aumento de 76,4% comparado as 680 mil feitas no ano anterior.

O crescimento do chamado método alternativo gratuito tem a contribuição das mais variadas especialidades médicas, da ortopedia à psiquiatria. De forma pioneira, é utilizado até mesmo em meio ao maquinário das unidades de terapia intensiva (UTI), como conta Fernando Genschow, médico do CMBA e um dos autores da resolução nacional que estabeleceu, em 2006, as diretrizes da introdução da acupuntura no SUS.

“Acupuntura é neurociência. É um método muito versátil porque as agulhas promovem estímulos neurológicos repercutidos em todas as células do corpo”, afirma o especialista, que atua no Hospital do Distrito Federal.

“Por isso, no último ano introduzimos a técnica nas UTIs. Atendemos especialmente as vítimas de acidentes de trânsito, a maioria motociclistas, com múltiplos traumas no corpo.”

Segundo Genschow, são dois objetivos principais que justificam o emprego das agulhas para pacientes que exigem cuidados intensivos: o alívio da dor, indicação que concentra a maior parte das pesquisas científicas sobre acupuntura, e melhora da função respiratória dos acidentados.

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André Tsai coordena o serviço de acupuntura do HC ao lado de profissionais de diversas especialidades “Como o tratamento promove uma reprogramação cerebral isso repercute na melhora da respiração. A necessidade de um respirador artificial é a mais frequente para manter o paciente na UTI. Então, além de melhorar a qualidade de vida, a acupuntura também pode reduzir o tempo de internação. Lá na ponta, isso pode até reduzir os custos hospitalares”, completa o especialista.

Celeiro científico

Apesar da experiência na UTI do hospital do Distrito Federal, a maior parte da utilização das agulhas como parte do tratamento no SUS se dá em consultas de rotina, feitas em ambulatórios.

Para ter acesso, o paciente precisa ser encaminhado por um médico do serviço público. É neste contexto que as unidades de acupuntura acabam acumulando casos de pacientes cujas dores não têm solução. São os pessoas que já tentaram inúmeros tratamentos convencionais sem efeito esperado, como conta a dona de casa Maria Eni da Silva Santos, 46 anos, moradora de São Paulo.

“Sofri 10 anos seguidos por causa de uma dor nas costas que queimava, não me deixava levantar da cama e exigiu afastamento do trabalho (auxiliar administrativo)”, lembra.

“Fui tratada por ortopedistas, neurologistas e até psiquiatra. Há 3 anos, meu médico indicou a acupuntura. É um complemento da fisioterapia, mas já após a terceira sessão semanal pude respirar sem sentir dor”, conta ela, que voltou a trabalhar há 3 meses.

Maria Eni é atendida no centro de acupuntura do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC), onde encontra outras pessoas que “já tentaram de tudo” até chegarem ao serviço coordenado pelo médico André Tsai.

Cristina Gallo/Fotoarena

Maria Eni afirma que as agulhadas foram a solução para as dores que a acompanhavam há 10 anos: ‘respirei e não doeu’

“Os nossos pacientes vêm de todas as áreas do HC, desde o Instituto do Câncer até o Instituto Central. Também são referenciados por Unidades Básicas de Saúde (UBS) próximas ao hospital”, diz Tsai.

“Nossa equipe é formada por ortopedistas, fisiatras, neurologistas, psiquiatras e clínicos gerais que também são acupunturistas. É o que permite dar conta das mais variadas queixas, muitas que se estendem por anos”, define.

Dores, insônia, depressão, paralisias faciais e pneumonias estão entre os problemas dos 200 casos novos recebidos mensalmente no centro de acupuntura do HC. Eles também ajudam a formar o celeiro científico existente no local, já que – com o apoio dos estudantes de medicina que também atuam na unidade – são conduzidas pesquisas científicas para comprovar (ou não) a eficácia da acupuntura na melhora dos quadros clínicos mais variados.

Barreiras

Ampliar as comprovações científicas da indicação da acupuntura como tratamento é uma das barreiras para que mais unidades públicas ofereçam a prática. Por ora, os estudos científicos mais contundentes são internacionais e concentram-se no uso da acupuntura para o alívio da dor.

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Leila tinha um tumor na medula espinhal: “a acupuntura me fez voltar a andar e me ajudou em tudo”
“Eu gostaria de ser estudada porque a acupuntura salvou a minha vida”, afirma a psicóloga Leila Strazza.
Há 17 anos, ela teve um tumor na medula espinhal de por causa da cirurgia acabou na cadeira de rodas.
“As agulhadas não só me fizeram voltar a andar, como me ajudaram com a depressão, com as dores e até melhoraram a qualidade da minha visão. Eu englobo todas as maravilhas que a acupuntura pode promover”, acredita ela que, de fato, é estudada pela equipe do HC.
Além das comprovações científicas, a acupuntura gratuita ainda é feita por apenas 500 médicos em todo País, o que indica que o acesso não é universal. Não só dos dados científicos precisam ganhar fôlego como também as vagas para acolher os pacientes, avalia o CMBA.