O problema do SUS é o foco na doença, diz o presidente da Frente Holística

Giovani Cherini, foi o fundador da Frente Holística e é seu presisente. Em conversa com o jornalista Edgar Lisboa, da sessão Repórter Brasília do Jornal do Comércio, o parlamentar disse que identifica o problema do SUS pelo foco na doença, paradigma que faz com que os recursos nunca sejam os suficientes para a saúde. Leia o trecho correspondente:

Foco na doença

O Sistema Único de Saúde (SUS) é a prova de que o mundo das ideias não traduz bem o mundo real. A ideia é considerada revolucionária: um sistema universal que trata todos os brasileiros gratuitamente. A realidade é outra. Os recursos para a saúde são sempre insuficientes. Para o deputado federal Giovani Cherini (PDT), as mazelas do SUS seriam curadas caso o foco mudasse. “Tem muito dinheiro na saúde, que é usado para tratar a doença. Mas hoje é tudo doença, morte. Não se previne. Nessa direção, sempre vai ter doença e sempre vai faltar dinheiro”. Cherini é conhecido por defender práticas holísticas dentro do Congresso. E ele já conseguiu convencer o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), a adotar algumas dessas práticas. Em alguns hospitais, o paciente será tratado não apenas com injeções, remédios e cirurgias. A acupuntura poderá ser usada no tratamento. Cherini também criou a Frente Parlamentar Pró Práticas Integrativas de Saúde. Mas não é fácil. “É um espaço difícil. Nunca se atende pela saúde, é sempre pela doença. Mas a saúde passa pela alimentação até a energia. A grande cura começa pela questão espiritual”. Para o deputado, o programa Mais Médicos foi uma das melhores ações da presidente Dilma Rousseff (PT) exatamente por focar na prevenção. “O Mais Médicos está revolucionando a saúde no País”.

Nova adesão à Frente Holística: Associação de Qi Gong do Rio de Janeiro

Associação de Qi Gong do Rio de Janeiro

Tivemos a felicidade de receber o contato do presidente da Associação de Qi Gong do Rio de Janeiro, Rodnei Martins, solicitando a adesão à Frente Holística. Ficamos muito felizes com o interesse pelo trabalho da Frente Holística!

Veja as instituições que já fazem parte da Frente Holística consultando a lista.

Você participa de alguma instituição ligada as práticas integrativas em saúde e acredita que ela pode contribuir para o reconhecimento e ampliação do uso das PIS? Entre em contato e participe da Frente Holística.

Como funciona um pronto-socorro de acupuntura do SUS?

A acupuntura é uma das mais conhecidas práticas integrativas no ocidente. Fonte de profundo estudo e pesquisa, ela ainda não tem uma “explicação científica” dentro do paradigma convencional da medicina, apesar de seus benefícios serem inquestionáveis quando aplicados por terapeutas devidamente qualificados.

A acupuntura não é uma técnica de longo prazo, como muitos podem pensar, ela também tem resultados imediatos, para casos de caráter mais emergencial, especialmente dores. O uso da mesma pode ser muito benéfico para o bem estar e qualidade de vida de pessoas com dores consideradas sem solução. O Hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (HSP-HU/Unifesp), chamado de Hospital São Paulo, tem um serviço de pronto-atendimento de acupuntura, algo único, gerenciado por uma equipe especial do Setor de Medicina Chinesa – Acupuntura do Departamento de Ortopedia e Traumatologia (DOT). Ativo desde 1992, o DOT desenvolveu o pronto-atendimento em acupuntura em 1998, sendo um espaço para aprendizado e pesquisa acadêmica e atendendo quase 100 pacientes diariamente.

Basta ser usuário do SUS para ter acesso ao atendimento, o qual dispensa encaminhamento médico ou agendar a consulta. Problemas do sistema musculoesquelético e dores viscerais como enxaqueca, cólica menstrual, estados emocionais, asma, bronquite, entre outros, podem procurar pela acupuntura. Já casos de caráter psiquiátricos ou cirúrgico não tem como ser atendidos. Saiba sobre horários e local no site do Hospital São Paulo.

A Frente Holística trabalha para promover e ampliar a adoção das práticas integrativas no SUS. Iniciativas de sucesso como essa do Hospital São Paulo são de grande valia para a adoção das práticas em outras unidades de saúde do SUS. A divulgação deste trabalho bem como os relatos dos terapeutas e pacientes dos benefícios são fundamentais para o sucesso e ampliação das Práticas integrativas em saúde.

 

Veja matéria que comenta e entrevista acupunturistas e pacientes, destacando o trabalho do Hospital São Paulo. Do portal IG Minha Saúde:

Como funciona o pronto-socorro de acupuntura do SUS

Atendimento no Hospital São Paulo dura cerca de dez minutos; é indicado para dor muscular, enxaqueca e cólica menstrual

É fascinante como uma mágica: depois que Maria Edi Tudéia, de 65 anos, esperou por alguns momentos no corredor do pronto atendimento de acupuntura do Hospital São Paulo, em SP, muito incomodada por conta de dores – ela sofre com dores na coluna, braço e nervo ciático – ela sai do consultório médico um sorriso aliviado no rosto e movimentando o braço, antes retraído por conta da dor, com naturalidade.

Os movimentos do braço de Maria Edi estavam limitados antes da sessão, por conta da dor. Em cinco minutos de ação das agulhas ela mostra que já pode se movimentar normalmente – sem dor. Foto de Elioenai Paes

Essa ‘magia’ não está em medicamentos analgésicos fortes que poderiam ter sido injetados em seu corpo, tampouco em comprimidos casuais concebidos pela indústria farmacêutica. Ela vem com minúsculas agulhas que, manipuladas durante oito segundos e mantidas no corpo de cinco a 10 minutos, trazem um efeito drástico de redução da dor. E o melhor: sem efeitos colaterais.

O pronto atendimento do Hospital São Paulo, que é bancado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é feito por médicos residentes em acupuntura, coordenados pelo Prof. Dr. Ysao Yamamura, chefe do setor de acupuntura e livre docente em medicina chinesa. Os resultados do trabalho do médico são visíveis de imediato: todos que entraram no consultório no momento em que a reportagem do iG estava acompanhando o procedimento relataram que a dor havia cessado ou diminuído muito. “As agulhas dão a sensação de algumas picadinhas de formigas, mas venho pesada e saio me sentindo leve”, comemora Sônia Maria de Barros, 61 anos.

Essa leveza se dá, segundo Yamamura, porque a acupuntura também promove a liberação de endorfina e serotonina, hormônios responsáveis pelo bem-estar e manutenção do humor.

E não são só dores na coluna que podem ser aliviadas pela técnica oriental milenar, mas também cólicas menstruais, enxaquecas, dores no joelho, quadris, ombros e todo o sistema músculo-esquelético.

“A acupuntura tradicional busca o equilíbrio do corpo humano em geral, também trabalhando sobre questões de ansiedade, além de outras. Aqui no Pronto Atendimento nós focamos na dor, e, por isso, usamos a técnica da agulha manipulada, que consiste em girar a agulha durante oito segundos, que faz o mesmo efeito do que deixar no paciente durante os 20 minutos”, explica Felipe Caldas, médico coordenador da preceptoria dos residentes.

O movimento de vai e vem da agulha, segundo ele, amplifica o efeito da acupuntura. “A agulha funciona como uma bateria, com 1.3 milivolts”, explica Caldas. “Os pontos de acupuntura são aqueles que têm acúmulo de terminações nervosas livres, então é como se pegasse a agulha e desse um pequeno choque no nervo”.

Esse choque, segundo Caldas, vai gerando estímulos ao longo de todo o nervo e fazendo com que o organismo libere substâncias que vão tirar a dor e doar uma sensação de bem-estar. E uma boa notícia: a acupuntura, segundo Yamamura, não tem contra indicações, podendo ser feita para qualquer idade, embora o Pronto Atendimento não atenda crianças “Elas são encaminhadas para o ambulatório do Hospital São Paulo, e a acupuntura para elas é só às quintas-feiras à tarde”, explica.

Serviço

Para quem está em São Paulo, é simples conseguir esse alívio da dor: o pronto atendimento de acupuntura fica aberto de segunda à sexta-feira, das 8h às 15h, na Rua Napoleão de Barros, 771, na Vila Clementino (próximo ao metrô Santa Cruz). As sessões são gratuitas, cobertas pelo SUS.

Prefeitura de Londrina reconhece trabalho fitoterapico no SUS

Como o já falado aqui diversas vezes, o trabalho da Frente Holística está para reconhecer o benefício das praticas integrativas e integrá-las no Sistema Único de Saúde. Diversas boas experiências já existem, algumas a diversos ano, gerando conhecimento, experiência e inspiração para mais trabalho.

A prefeitura da cidade paranaense de Londrina reconheceu o trabalho realizado pelo poder público

Veja notícias completa no site da Prefeitura de Londrina:

Programa Municipal de Fitoterapia recebe menção honrosa em Congresso Estadual

O reconhecimento é fruto do sucesso da prática terapêutica na Rede Básica de Saúde de Londrina

Na manhã de hoje (3) um programa desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde foi certificado com menção honrosa no 30º Congresso Estadual das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná, realizado em Foz do Iguaçu. O êxito foi alcançado com o trabalho intitulado “Programa Municipal de Fitoterapia: Londrina no contexto das práticas integrativas e complementares”, apresentado na Mostra de Experiências Municipais em Saúde Pública: “Paraná: aqui tem SUS”, que integra o evento.

A menção honrosa ao programa londrinense é fruto dos bons resultados obtidos pelo Programa Municipal de Fitoterapia, prática terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas. Trata-se de uma forma de terapia medicinal que vem crescendo nos últimos anos. O Programa Municipal foi oficializado em agosto de 2003 e hoje está presente em 14 unidades de saúde, consideradas unidades-piloto, sendo 13 na zona rural e uma na zona urbana (UBS El Dorado).

Através dele, são disponibilizados conhecimentos e produtos fitoterápicos para uso na Rede Básica de Saúde de Londrina, diminuindo o uso de medicamentos alopáticos e seus possíveis efeitos colaterais, além de oferecer outras alternativas terapêuticas. Também estimula a prática adequada da Fitoterapia em comunidades e nos serviços, atende patologias não incluídas na cesta básica, institui plantas medicinais na Rede de Saúde e capacita equipes de profissionais da saúde (médicos, dentistas, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários).

As atividades foram ganhando corpo no decorrer dos anos e a experiência aponta resultados positivos baseados nos relatos e avaliação clínica com os fitoterápicos em uso, além do interesse de instituições que buscam parcerias, confirmando o uso da Fitoterapia como terapêutica relevante, com tratamentos menos custosos e eficácia comprovada.

O trabalho gratificado com a menção foi idealizado pelos servidores Rosilene Aparecida Machado, que fez a apresentação, Sonia Hutul Silva, Rui Cépil Diniz, Mara Lucia Rocha, Bruna Aparecida dos Reis, Gisela Luppi Noivo Aroceno e Adriana Cerqueira Faddul. Outro programa municipal também foi apresentado no evento com o tema “O uso do SIG como ferramenta para o planejamento e gestão em Saúde”.

Estimular trabalhos bem-sucedidos no SUS

A Mostra tem como objetivo incentivar os municípios a divulgarem suas experiências e promover o intercâmbio de trabalhos inovadores e bem sucedidos no SUS, visando fortalecer as ações por meio de soluções criativas no campo da gestão pública ou regional. A finalidade é a consolidação dos direitos dos cidadãos à saúde.

O Congresso

A 30ª edição do Congresso Estadual das Secretarias Municipais de Saúde foi realizada pelo COSEMS Paraná com o tema “Gestão do Trabalho: cuidando de quem cuida”. O evento tem como objetivo buscar melhores soluções para as necessidades apontadas para fazer um Sistema Único de Saúde (SUS) cada vez mais equânime, universal e de qualidade. Participam do evento gestores, profissionais, docentes, estudantes da área da Saúde dos 399 municípios paranaenses.

Infecções bacterianos podem ser tratadas com luz azul

Cromoterapia, biofotonica, laserterapia, biorressonância ou ressonância biofotônica estão no campo das práticas integrativas e são aplicadas por terapeutas para o tratamento da saúde integral dos seus pacientes. Estudo de jovem brasileiro no MIT desenvolve técnica que permite o tratamento de infecções bacterianas utilizando luz azul.

 

Veja a matéria do site As boas novas:

Invenção de estudante brasileiro substitui antibiótico por luz

O emissor de luz criado pelo pernambucano Caio Guimarães é capaz de matar até as bactérias mais resistentes

Invenção de estudante brasileiro substitui antibiótico por luzUma espécie de lanterna com lâmpadas de led, o equipamento já foi testado pelo exército americano.Ao invés de antibióticos que agridem o estômago, luzes capaz de trata infecções. Essa foi a ideia desenvolvida pelo estudante pernambucano Caio Guimarães, que durante um estágio no Wellman Center, laboratório de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), desenvolveu a tecnologia capaz de tratar infecções através da irradiação de luz nos tecidos humanos.

Em uma frequência que mata até mesmo as bactérias mais resistentes, os equipamentos são capazes de eliminar a infecção em cerca de uma hora. Bem mais eficiente que os antibióticos que existem no mercado farmacêutico, o mecanismo já foi testado em uma pesquisa patrocinada pelo exército norte-americano para eliminar uma bactéria encontrada em ferimentos de soldados que foram ao Iraque.

Como uma lanterna portátil, o equipamento conta com lâmpadas de led calibradas para irradiar uma frequência exata de luz, que é visível a olho humano e não tem efeitos colaterais. Uma microagulha guiar a luz da fonte para dentro dos tecidos humanos, atingindo até mesmo áreas mais profundas. Em fevereiro de 2015, o trabalho será apresentado no Photonics West, em São Francisco, na Califórnia.

Veja abaixo o vídeo produzido pelo Diário de Pernambuco.

 

Hospital goiano é referência em tratamento com fitoterapia e homeopatia

Com uma história fantástica, tendo em sua fundação a ajuda de médicos indianos e estando a quase 30 anos na ativa, o Hospital de Medicina Alternativa de Goias é um grande exemplo de trabalho.

Conheça mais da história nesse vídeo:

hospital de medicina alternativas goias plantas medicinais

hospital de medicina alternativas goias plantas medicinais 2

Confira esse artigo no Diário da Manhã:

Hospital de Medicina Alternativa oferece tratamentos diferenciados para a população

O Hospital de Medicina Alternativa (HMA) é referência em Goiás e até no Brasil no tratamento de enfermidades por meio da Fitoterapia e da Homeopatia. Fundado há 28 anos, com ajuda de médicos indianos, a unidade realiza o tratamento de mais de sete mil pessoas por mês, todos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Devido a característica da unidade, os tratamentos são aplicados conforme os preceitos da Medicina Integrativa, pois aborda em primeiro plano o paciente como um todo e utiliza as diversas formas de terapias disponíveis no sistema público de saúde, incluindo as práticas integrativas e complementares como homeopatia, acupuntura, fitoterapia e a abordagem de terapias tradicionais, como a medicina tradicional chinesa e o Ayurveda – esta que é a ciência da saúde mais antiga da humanidade, amplamente utilizada na Índia.

A Medicina Integrativa trata o ser humano como o foco da atenção em saúde e, por isto, atende no escopo da medicina generalista, recebendo pacientes independentemente da especialidade da doença. De acordo com os médicos que atuam na unidade de saúde, são atendidos pacientes portadores de doenças das menos complexas às mais graves, como Aids e câncer, sempre de uma forma integrativa e complementar aos tratamentos convencionais da alopatia. Com as práticas integrativas e complementares se pode completar os tratamentos convencionais proporcionando maior qualidade de vida aos pacientes. Os pacientes atendidos na unidade contam com 19 médicos especialistas em Homeopatia, Acupuntura e capacitados em Fitoterapia, além de receberem também a atenção de nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos e fonoaudiólogos. Quando necessário, os pacientes podem participar de grupos terapêuticos que incluem aulas de Yoga e terapias corporais.

Para ter acesso a esses tratamentos, os pacientes só precisam pedir para os médicos que atendem na rede SUS, postos de saúde e CAIS, o encaminhamento para o HMA. Assim o agendamento e o atendimento serão facilitados, e, o tempo de espera do paciente será reduzido. Todo tratamento no Hospital de Medicina Alternativa é gratuito.

Para quem não conhece, a Fitoterapia, é o tratamento de enfermidades através das plantas medicinais que podem ser in natura, rasurada – que são plantas fragmentadas por meio de trituradores -, e por extrato seco. Já a Homeopatia é o tratamento realizado com medicamentos diluídos e dinamizados – que podem ser provenientes de matérias-primas animal, vegetal e mineral.

A unidade de saúde, também oferece serviços de Acupuntura, que é uma das formas de tratamento da medicina tradicional chinesa, e consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos, distribuídos pelos meridianos do corpo visando estimular e harmonizar a energia interna. Usa-se também auriculoterapia combinada com artemísia, entre outras técnicas.

Uma equipe multiprofissional faz acompanhamento nutricional, de fonoaudiologia e psicologia, bem como terapia ocupacional, são feitas em sessões individuais e em grupos. Cada um desses tratamentos é realizado após avaliação e recomendação médica.

O paciente atendido no HMA recebe um tratamento diferenciado, pois é observado na totalidade, não apenas onde está concentrada a enfermidade. A consulta também é mais demorada para que a avaliação do paciente seja completa; também há pacientes que ficam por anos se tratando no hospital, com o foco na manutenção da saúde e prevenção de complicações de doenças crônicas.

Uma conquista do HMA nesse ano, foi a realização de um convênio com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para um projeto de pesquisa para a pós-graduação da Faculdade de Farmácia, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg). A pesquisa envolverá 300 pacientes do HMA e verificará a tolerância quanto as fórmulas fitoterápicas prescritas pelos médicos. A triagem vai começar neste semestre, assim que houver a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFG. A previsão é de que a pesquisa tenha duração de dois anos.

Além de testar a segurança dos tratamentos fitoterápicos, a pesquisa ainda beneficiará as farmácias da Universidade Federal de Goiás e do Hospital de Medicina Alternativa, uma vez que os recursos oriundos da Fapeg contribuirão para melhorar a estrutura desses locais, para que os estudos possam ser realizados. Com isso, o HMA demonstra, mais uma vez, sua atualidade na prática assistencial que tem sido alvo da confiança dos goianos há quase três décadas.

(Halim Antonio Girade é Secretário de Estado da Saúde de Goiás)

Busca por práticas integrativas no SUS só aumenta desde 2008

As práticas integrativas em saúde abarcam um grande conjunto de práticas, muitas delas já tradicionais e amplamente conhecidas popularmente, que focam na harmonização do ser humano e na manutenção e promoção da saúde. Devido ao paradigma convencional de saúde, que tem a tendência a focar-se na doença e na manifestação dos seus sintomas, a adoção de tais práticas ficou de fora do Sistema Único de Saúde do Brasil. Desde 2006, com o lançamento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Comple­men­­­tares (PNPIC) esse cenário vem mudando significativamente.

O próprio lançamento da Frente Holística é uma necessidade de estruturação e trabalho em conjunto para uma plena e positiva adoção das práticas integrativas pelo SUS, sendo este um de seus objetivos. Diversas iniciativas e experiências de adoção das práticas integrativas pelo poder público tem sido adotadas pelo Brasil. O DF lançou recentemente a Política Distrital de Práticas Integrativas em Saúde no VI Simpósio de Práticas Integrativas, somando uma valiosa experiência a esse grupo.

Com a oferta destes tratamentos em unidades do SUS, os resultados soltam aos olhos, gerando a satisfação da população e, um dado que ainda está para ser estudado e analisado, economia e bem estar para a sociedade. Como as práticas integrativas tratam mais da origem da doença e da manutenção da saúde, concebendo ambas de forma holística, quantos recursos econômicos e de pessoal não são poupados pelo estado? Quantos leitos hospitalares, filas em emergências, remédios não são poupados? Quão melhor é uma sociedade composta por cidadão saudáveis e bem dispostos, trabalhando, aprendendo e convivendo?

 

Veja a reportagem da Gazeta do Povo, analisando a busca pelas práticas integrativas no SUS no Brasil e no Paraná:

 

Fonte:
Fonte: Gazeta do Povo

Terapias “alternativas” ganham destaque em consultas do SUS

Nos últimos quatro anos, as sessões de acupuntura feitas pelo SUS triplicaram. Procura por pilates e ioga também deu um salto

Acupuntura, homeopatia, remédios derivados de plantas, sessões de eletroestimulação e aulas de tai chi chuan, que até pouco tempo eram práticas de saúde pouco corriqueiras, deram um salto no país nos últimos sete anos, quando os serviços passaram a ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A situação começou a mudar em 2006, quando foi elaborada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Comple­men­­­tares (PNPIC), que agregou a medicina integrativa (o nome correto dado à área) ao sistema. As sessões de acupuntura saltaram de 148,6 mil em 2008, quando o sistema de informações Datasus passou a fazer o monitoramento, para 440 mil em 2012. Já as práticas corporais, que incluem tai chi chuan, pilates e ioga, passaram de 647 mil em 2008 para 3,8 milhões em 2012.

No Paraná, em 2008, foram feitas 822 sessões de acupuntura com agulhas (há outras modalidades, como aquela feita com ventosas). No ano passado, o número subiu para 5,2 mil, quase sete vezes mais que há cinco anos. As práticas corporais, na comparação entre os dois anos, aumentaram de 12 mil para 149 mil.

Em outras especialidades, porém, o estado deixa a desejar, como na de fitoterapia e eletroestimulação. Tais serviços são, em 90% dos casos, oferecidos pela rede básica de saúde, ou seja, pelo município, mas as cidades do interior não têm condições de oferecer as especialidades. Curitiba, por sua vez, deixou de ofertar os fitoterápicos na gestão anterior.

Mais procurados

Entre as especialidades mais procuradas estão justamente aquelas que são mais oferecidas pelos municípios, como a homeopatia e a acupuntura. Em Curitiba, o Ambulatório de Homeopatia existe desde 1992, e a procura tem crescido a cada ano, de acordo com o médico pediatra e homeopata Pedro Lewiski, que atua na rede municipal há 20 anos. Desde então, de acordo com ele, a especialidade tem ganhado cada vez mais aceitação de colegas de outras áreas, como neurologistas, clínicos-gerais, psiquiatras e ginecologistas, que fazem o encaminhamento dos pacientes para o ambulatório.

“Nem sempre o remédio alopata tem eficácia, então nós associamos o tratamento convencional ao homeopático, daí o termo medicina integrativa, pois há uma integração entre as especialidades. E os resultados são muito satisfatórios, pois o remédio é feito na medida para o paciente. As consultas também são mais longas, duram de 45 minutos a uma hora”, explica o médico.

No caso da acupuntura, os principais pacientes são idosos, afirma o médico acupunturista Mário Leitão, que atende no Ambulatório de Acupuntura, criado em 2001. “O paciente sai da sessão e já sente a diferença. Não há necessidade de passar no balcão da farmácia, não há efeitos colaterais e o método é seguro, pois o paciente só chega aqui após ter passado por um especialista que faz o encaminhamento.”

Descentralização – Desafio em Curitiba é ampliar atendimentos para os bairros

A medicina integrativa em Curitiba, no que se refere às especialidades de homeopatia e acupuntura, está relativamente consolidada, já que os ambulatórios na área existem, respectivamente, desde 1992 e 2001. O desafio da administração municipal é ampliar a oferta, já que hoje o serviço só é oferecido – via encaminhamento pelas unidades básicas de saúde – no Centro de Especialidades da Matriz, na Rua Doutor Muricy, no Centro. São apenas três homeopatas e sete acupunturistas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, em 2014 o órgão pretende descentralizar o atendimento, para que ele deixe de ser ofertado só no Centro. Neste ano, está sendo feito o mapeamento de quantos médicos com residência em Pediatria e Clínica Médica, por exemplo, também são homeopatas e acupunturistas. A partir daí, se iniciará um plano para equipar as 109 unidades básicas de saúde com esses profissionais.

Em relação às outras áreas, como fitoterapia, eletroestimulação e práticas corporais, o superintendente de Gestão da secretaria, Helvo Slomp Júnior, afirma que a previsão é que alguns serviços sejam ofertados em 2014. “Estamos estudando a aquisição de fitoterápicos industrializados que hoje são oferecidos pelo SUS”, diz.

No caso das práticas corporais, que estão limitadas a algumas unidades de saúde, como a da Ouvidor Pardinho, responsável por atendimentos à terceira idade, o superintendente afirma que está sendo estudado um plano, em conjunto com a secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, para a aquisição de novos espaços esportivos.

Satisfação

“Não queria receber alta”, diz paciente de Curitiba

Os idosos que são atendidos pelos profissionais de acupuntura e homeopatia do Centro de Especialidades da Matriz, em Curitiba, se dizem satisfeitos com o serviço, embora ele ainda se concentre em um só lugar da cidade e existam filas para a primeira consulta e para as subsequentes.

A dona de casa Eunice Kostituk Neves, 68 anos, foi encaminhada para o serviço pela primeira vez há três anos, por causa de dores na coluna e depressão. Após alguns meses, foi liberada pelo médico, a contragosto. “Não queria ter alta, mas sabia que havia muita gente na fila esperando, e não tinha o que fazer. Você sente a diferença já na primeira consulta”, elogia.

Após voltar a sentir dores, foi novamente encaminhada, e sentiu alívio, pois os antinflamatórios não estavam surtindo efeito. A sensação de bem-estar é idêntica para a dona de casa Janes Nair Juliano, 56 anos, que realizou a segunda consulta por causa de um problema crônico na coluna que já a submeteu a quatro cirurgias para implante e retirada de pinos no local. “A dor desaparece, você dorme melhor, a qualidade da vida aumenta. É muito bom ter essa especialidade [no SUS]. Só tem que oferecer mais sessões, se eu pudesse vinha todo dia”, brinca.

Legislação

Instituída em 2006, a Portaria nº 971 estabeleceu que um conjunto de especialidades e práticas na área de Medicina Integrativa e Complementar passasse a ser ofertado pelo SUS por meio da rede básica de saúde, assim como as diretrizes, normas técnicas e protocolos que as secretarias de saúde devem seguir ao ofertar esses serviços.

Terapias alternativas complementam tratamentos de saúde convencional

As Práticas Integrativas em Saúde estão para serem integradas ao já vasto conhecimento da medicina convencional, ampliando horizontes e mudando o paradigma de saúde vigente que foca manutenção da doença. Ao não abarcar o ser humano como um todo complexo e profundamente relacionado com o seu meio ambiental, emocional e espiritual, a medicina convencional tende a se focar em partes, sintomas, efeitos, não em causas. Foca na doença, não na promoção e manutenção da saúde.

Em um discurso sobre as Práticas Integrativas em Saúde, o deputado Giovani Cherini, presidente da Frente Holística, destaca o papel das terapias integrativas e da limitação do sistema de saúde atual devido ao paradigma vigente. Lei este trecho:

Esta Frente Parlamentar está sendo, sem dúvida, a grande contribuição deste Parlamento à saúde dos brasileiros, pois vai trabalhar para que a saúde integrativa – combinação da medicinal convencional e das terapias complementares – possa mudar a triste lógica existente no nosso País, que é tratar da doença como a doença já contraída, e não a saúde dos brasileiros, de forma preventiva.

E por que devem se integrar? Hoje a chamada medicina alopática é dominante no sistema de saúde do País. Concentra sua preocupação com a doença local, física, tumor, câncer, inflamação, inchação. Desconhece totalmente os princípios da origem das doenças. Não considera os sintomas energéticos, mentais e emocionais.

As novas doenças geradas pelos medicamentos, eufemisticamente chamadas de efeitos colaterais, são consideradas como causas novas e precisam de novos medicamentos. Há pessoas usando uma dezena de medicamentos químicos diariamente e, para piorar, várias vezes ao dia. Novas doenças surgidas após novos medicamentos são tratadas com outros medicamentos. Cria-se um ciclo vicioso e a doença aumenta cada vez mais. Partindo do princípio de que, por exemplo, a acupuntura, a meditação e a ioga ajudam a minimizar a dor, a ansiedade e até os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais, a saúde integrativa tem ganhado cada vez mais espaço em hospitais e centros de estudos.

 * grifos nossos

 Veja na matéria abaixo um exemplo de como a medicina convencional só tem a ganhar com as práticas integrativas. Os grifos em vermelho são nossos, para os pontos mais importantes.

Terapias alternativas complementam técnica convencional

Terapias alternativas têm sido cada vez mais utilizadas por pacientes para complementar tratamentos convencionais e até prevenir doenças. Entre as técnicas mais utilizadas estão o reiki e a acupuntura. Especialistas aconselham a interação entre as modalidades terapêuticas, mas salientam que o acompanhamento médico tradicional jamais deve ser abandonado.

Segundo Rosa Campanella, proprietária de uma clínica na Vila Bastos, em Santo André, a procura por esse tipo de recurso teve alta de 40% nos últimos três anos. Por mês, cerca de 400 pessoas passam por atendimento de reiki. Para os demais tratamentos, a demanda mensal gira em torno de 200 pessoas. “A maioria dos pacientes que nos procuram sofre com estresse e outras questões ligadas ao descontrole emocional”, comenta.

O médico Ricardo Monezi, pesquisador do Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que a principal característica desse segmento da medicina é classificar o ser humano como “multidisciplinar”. “Não adianta tratar só da dimensão biológica. É preciso tratar questões psicológicas, sociais e até de espiritualidade.” O especialista esclarece que espiritualidade não tem ligação com a religião espírita. “Trata-se do conjunto de crenças que a pessoa tem, da fé em geral.”

Ao longo da última década, a nomenclatura dada a esse segmento da ciência foi alterada, passando de alternativa a complementar. Hoje, recebe o nome de medicina integrativa. “A palavra alternativa, em português, dá significado de exclusão. Não queremos que essas terapias excluam os tratamentos convencionais. Pelo contrário, queremos que haja um complemento.”

O reiki consiste na utilização das mãos para transmitir energia ao receptor, de modo a buscar o equilíbrio energético. Segundo Monezi, há quatro hipóteses para justificar a cura por meio dessa terapia. “A primeira é a relação do toque como promotor de reações fisiológicas que desencadeiam processos de saúde. Outro fator é a transmissão de energia, que poderia desenvolver a melhora.” O professor também aponta a relação interpessoal e a sensação de relaxamento fisiológico e psíquico como agentes responsáveis pela melhora dos pacientes.

Em 2006, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou portaria que aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (Sistema Único de Saúde). O texto recomenda às secretarias estaduais e municipais de Saúde que utilizem esse tipo de terapias na rede pública. Diversos hospitais particulares também já utilizam o reiki e a acupuntura nos pacientes internados. Caso do Sírio-Libanês e do Albert Einstein, ambos na Capital. O documento também cita a homeopatia e a fitoterapia como recursos a serem aplicados.

PREVENÇÃO

Além da indicação das terapias integrativas como meio corretivo, esse tipo de tratamento também é recomendado como forma de prevenção. A professora Celene Armelini, 32 anos, é uma das que procurou o reiki sem apresentar qualquer sintoma de doenças. “Melhora a qualidade de vida e diminui a ansiedade. Me sinto mais calma e equilibrada depois que passo pela sessão”, reconhece. Ela frequenta a clínica há seis meses. Na primeira, foi indicada por uma terapeuta. “Estou evitando problemas futuros”, finaliza.

Pacientes destacam calma proporcionada

A aplicação do reiki é vista como positiva por pacientes que sofrem de transtornos psicológicos, como depressão e síndrome do pânico. A técnica é vista como auxiliar ao tratamento convencional.

A terapeuta Márcia Villani, 60 anos, entrou em quadro depressivo no fim do ano passado, após ser diagnosticada com câncer de mama. Em seguida, surgiu o pânico. “Faço reiki desde novembro. Isso me trouxe lucidez sobre diversos aspectos”, garante. Agora, ela afirma que já consegue realizar coisas que não fazia durante as crises, como dirigir e sair de casa sozinha. Apesar da melhora, Márcia diz que não interrompeu a medicação prescrita pelo médico psiquiatra.

Mesma situação relata a professora aposentada Sandra Aparecida Vernucci, 58. “Me sinto mais forte, com menos sensação de agonia”, revela. Ela passa pelo tratamento há dois meses.

A psicanalista Rosa Campanella, proprietária de uma clínica em Santo André, salienta que, nos quadros de depressão e pânico, os pacientes também são submetidos a acompanhamento psicológico. “Em todos esses casos, sempre recomendamos que o tratamento médico deve ser continuado e que a medicação não deve ser abandonada sem orientação do profissional”, adverte.

Acupuntura é indicada para controlar diversos tipos de dores

O professor Edison Noboru Fujiki, responsável pela disciplina de Ortopedia da Faculdade de Medicina do ABC, salienta que a principal indicação da acupuntura é para o controle de diversos tipos de dores. “Essa terapia está muito relacionada à anestesia. Ajuda muito para diminuir processos inflamatórios, mas não dá resultado, por exemplo, em casos de infecção”, explica.

Segundo o ortopedista, a acupuntura funciona como gatilho, por meio de estímulos em pontos correspondentes às partes do corpo que se deseja atingir. No entanto, o processo não é indicado como meio único de tratamento em caso de problemas de origem orgânica. “Não adianta só tirar a dor, tem que atuar na causa.”

O especialista alerta que a acupuntura deve ser feita por profissionais especializados, com amplo conhecimento sobre a técnica. “Se for feito de forma inadequada terá efeitos colaterais. É como uma medicação errada”, compara. Segundo o especialista, a terapia foi reconhecida como modalidade médica há cerca de sete anos. Em algumas faculdades, diz Fujiki, a disciplina já faz parte da grade curricular.

Em maio, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) proibiu psicólogos de praticarem a acupuntura. O Conselho Federal de Psicologia havia autorizado em 2002 que os profissionais aplicassem o tratamento, o que gerou críticas por parte da comunidade médica.

Presente até na UTI, a acupuntura resolve dores sem solução

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A acupuntura é uma prática integrativa oriental milenar. Considera os canais de energia presentes no corpo humano e busca a sua harmonização, garantindo assim a saúde e bem estar do ser humano.

Já amplamente conhecida, a acupuntura é uma das práticas integrativas que mostra o seu valor já estando presente em diversas unidades de saúde pelo SUS. Estas experiências e acúmulo de conhecimento são de extrema riqueza para a Frente Holística. Com o objetivo de defender e divulgar tecnologias e técnicas existentes no campo das práticas integrativas, destacando seus benefícios, e incluir as Terapias Integrativas nos Programas de Saúde, exemplos como esses mostram a força e importância para prevenir doenças e evitar medicação em demasia.

Veja a notícia publicada no site do iG Minha Saúde sobre a acupuntura como alternativa a dores consideradas sem solução:

Acupuntura no SUS ajuda pacientes com dores sem solução e já está até na UTI

Em um ano, atendimentos pelo sistema público crescem 76%; agulhas já são usadas por médicos de várias especialidades, de ortopedistas a psiquiatras

Acupuntura no SUS é usada em pacientes com dores sem solução

As agulhadas usadas para aliviar a dor do motoqueiro ferido no trânsito e internado na UTI também são empregadas para tratar a perna da senhora que já passou por todos os médicos, sem resultados. Eles são exemplos de pacientes que estão entre os 1,2 milhão de atendimentos de acupuntura feitos no Sistema Único de Saúde (SUS) no último ano.

De acordo com um levantamento inédito feito pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA), o total de consultas realizadas em 2011 – tabulados por meio do banco de dados do Ministério da Saúde – representa um aumento de 76,4% comparado as 680 mil feitas no ano anterior.

O crescimento do chamado método alternativo gratuito tem a contribuição das mais variadas especialidades médicas, da ortopedia à psiquiatria. De forma pioneira, é utilizado até mesmo em meio ao maquinário das unidades de terapia intensiva (UTI), como conta Fernando Genschow, médico do CMBA e um dos autores da resolução nacional que estabeleceu, em 2006, as diretrizes da introdução da acupuntura no SUS.

“Acupuntura é neurociência. É um método muito versátil porque as agulhas promovem estímulos neurológicos repercutidos em todas as células do corpo”, afirma o especialista, que atua no Hospital do Distrito Federal.

“Por isso, no último ano introduzimos a técnica nas UTIs. Atendemos especialmente as vítimas de acidentes de trânsito, a maioria motociclistas, com múltiplos traumas no corpo.”

Segundo Genschow, são dois objetivos principais que justificam o emprego das agulhas para pacientes que exigem cuidados intensivos: o alívio da dor, indicação que concentra a maior parte das pesquisas científicas sobre acupuntura, e melhora da função respiratória dos acidentados.

Cristina Gallo/Fotoarena
André Tsai coordena o serviço de acupuntura do HC ao lado de profissionais de diversas especialidades “Como o tratamento promove uma reprogramação cerebral isso repercute na melhora da respiração. A necessidade de um respirador artificial é a mais frequente para manter o paciente na UTI. Então, além de melhorar a qualidade de vida, a acupuntura também pode reduzir o tempo de internação. Lá na ponta, isso pode até reduzir os custos hospitalares”, completa o especialista.

Celeiro científico

Apesar da experiência na UTI do hospital do Distrito Federal, a maior parte da utilização das agulhas como parte do tratamento no SUS se dá em consultas de rotina, feitas em ambulatórios.

Para ter acesso, o paciente precisa ser encaminhado por um médico do serviço público. É neste contexto que as unidades de acupuntura acabam acumulando casos de pacientes cujas dores não têm solução. São os pessoas que já tentaram inúmeros tratamentos convencionais sem efeito esperado, como conta a dona de casa Maria Eni da Silva Santos, 46 anos, moradora de São Paulo.

“Sofri 10 anos seguidos por causa de uma dor nas costas que queimava, não me deixava levantar da cama e exigiu afastamento do trabalho (auxiliar administrativo)”, lembra.

“Fui tratada por ortopedistas, neurologistas e até psiquiatra. Há 3 anos, meu médico indicou a acupuntura. É um complemento da fisioterapia, mas já após a terceira sessão semanal pude respirar sem sentir dor”, conta ela, que voltou a trabalhar há 3 meses.

Maria Eni é atendida no centro de acupuntura do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC), onde encontra outras pessoas que “já tentaram de tudo” até chegarem ao serviço coordenado pelo médico André Tsai.

Cristina Gallo/Fotoarena

Maria Eni afirma que as agulhadas foram a solução para as dores que a acompanhavam há 10 anos: ‘respirei e não doeu’

“Os nossos pacientes vêm de todas as áreas do HC, desde o Instituto do Câncer até o Instituto Central. Também são referenciados por Unidades Básicas de Saúde (UBS) próximas ao hospital”, diz Tsai.

“Nossa equipe é formada por ortopedistas, fisiatras, neurologistas, psiquiatras e clínicos gerais que também são acupunturistas. É o que permite dar conta das mais variadas queixas, muitas que se estendem por anos”, define.

Dores, insônia, depressão, paralisias faciais e pneumonias estão entre os problemas dos 200 casos novos recebidos mensalmente no centro de acupuntura do HC. Eles também ajudam a formar o celeiro científico existente no local, já que – com o apoio dos estudantes de medicina que também atuam na unidade – são conduzidas pesquisas científicas para comprovar (ou não) a eficácia da acupuntura na melhora dos quadros clínicos mais variados.

Barreiras

Ampliar as comprovações científicas da indicação da acupuntura como tratamento é uma das barreiras para que mais unidades públicas ofereçam a prática. Por ora, os estudos científicos mais contundentes são internacionais e concentram-se no uso da acupuntura para o alívio da dor.

Cristina Gallo/Fotoarena
Leila tinha um tumor na medula espinhal: “a acupuntura me fez voltar a andar e me ajudou em tudo”
“Eu gostaria de ser estudada porque a acupuntura salvou a minha vida”, afirma a psicóloga Leila Strazza.
Há 17 anos, ela teve um tumor na medula espinhal de por causa da cirurgia acabou na cadeira de rodas.
“As agulhadas não só me fizeram voltar a andar, como me ajudaram com a depressão, com as dores e até melhoraram a qualidade da minha visão. Eu englobo todas as maravilhas que a acupuntura pode promover”, acredita ela que, de fato, é estudada pela equipe do HC.
Além das comprovações científicas, a acupuntura gratuita ainda é feita por apenas 500 médicos em todo País, o que indica que o acesso não é universal. Não só dos dados científicos precisam ganhar fôlego como também as vagas para acolher os pacientes, avalia o CMBA.

Exames em excesso podem resultar em graves problemas à saúde

Com o foco muito mais na doença e nos sintomas do que na promoção da saúde, a medicina tem a tendência de tomar qualquer decisão apenas com um batalhão de exames, muitas vezes desconexos entre si, desconsiderando todas as dimensões do paciente.

Muitas vezes, com remédios e tratamentos invasivos, é possível parar um sintoma sem tratar da causa da doença. Assim, é uma questão de tempo para que a doença retorne “do nada”, levando o paciente a nova bateria de exames e remédios mais fortes e tratamentos mais invasivos.

O estado de tensão e estresse que o paciente pode ficar também passa a ser enorme, levando muitas vezes a automedicação, ansiedade e, novos problemas.

Veja esse artigo do Vida&Estilo e reflita sobre como vai a saúde:

Exames demais, saúde de menos

Paulo Camiz – Especial para O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 06h 00

Exames auxiliam na prevenção e no tratamento de doenças, mas são prejudiciais quando feitos em demasia e sem necessidade

Por mais cansativo que seja ir até um laboratório para a realização de exames, cada vez pacientes, em meu consultório, insistem para que eu peça a eles uma bateria de testes, mesmo sem necessidade. Quem não me pede exames, já os tem em mãos. Foram solicitados por outros colegas. O que eles querem de mim? Uma segunda ou terceira opinião. “Doutor, já realizei duas biópsias de fígado e nenhuma delas mostrou porquê meus exames estão alterados”, disse um paciente, dia desses. “Estou muito preocupado, pois notei que os resultados estão muito diferentes dos habituais, devo estar muito doente”, me relatou outro. Qual é a primeira coisa que faço diante de um paciente assim, que chega bradando suas preocupações sobre uma análise diagnóstica? Pergunto-lhe: “como vai? Tudo bem?”. E prossigo: “sabe, eu previa que os resultados seriam alterados. Como você me contou na outra consulta, está praticando atividade física regularmente. E isso muda tudo”.

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Exames demais podem causar ansiedade, câncer, sequelas de intervenções médicas desnecessárias, entre outros males e enfermidades.

Parece besteira, mas esse é o início de uma anamnese ou entrevista médica. Na minha opinião, uma boa consulta ainda é a maior ferramenta diagnóstica de um médico, não os exames complementares. Ainda que estes se façam bastante importantes, não podem substituir ou tirar a importância do exame clínico. Só a partir de uma boa consulta e da formulação de hipóteses diagnósticas os exames devem ser solicitados, de forma individual para cada paciente. Até mesmo ocheck up deveria ser personalizado de acordo com as queixas do paciente e seu histórico médico, principalmente a partir da meia idade, mas dificilmente é assim. Digo isso por diversas razões:
A primeira delas: evitar os “incidentalomas”, anormalidades encontradas por acaso num exame solicitado pelo medico para outro fim. Os campeões do momento são os nódulos de tireoide. Quando pergunto ao paciente o porquê de se ter realizado o ultrassom na glândula, a resposta que mais ouço é: “o meu médico é super cauteloso, ele sempre pede exame para tudo”. Perfeito. Se o exame vem normal, pode-se ter certa segurança de que tudo vai bem. Mas, e quando são detectados os tais nódulos? Em 99% das vezes eles são benignos e não causam mal nenhum- similares às manchas na pele. O problema é que ninguém aguenta, hoje em dia, viver com a dúvida. Para se certificar de que não há nada de errado com o nódulo, o paciente se submete a biópsias, repetição de exames, cirurgias e outros procedimentos desnecessários.

A segunda razão: exagerar nos exames pode desencadear enfermidades. Há pessoas, que fazem, por exemplo, um exame chamado PETScan (nos quais se recebe uma alta carga de radiação) por semestre na tentativa de “prevenir” câncer. Na verdade se estaria detectando um câncer, talvez num momento precoce, e não prevenindo. Enfim, suponhamos que depois de alguns semestres detecte-se um câncer num estágio inicial. Façamos a seguinte reflexão: o câncer foi detectado pelo exame ou foi causado por ele e a alta carga radiativa a que o paciente foi submetido? Provavelmente, os dois. Mas nesse caso, a prevenção causou a doença.

O PETScan é um dos exames com maior carga de radiação recebido pela paciente (cerca de 500 radiografias de tórax simples). As tomografias computadorizadas, cada vez mais disponíveis, equivalem uma exposição à cerca de 300 (trezentas) radiografias simples por exame. Será que o médico que está pedindo esse tipo de exame de forma recorrente está realmente preocupado com a saúde do paciente a longo prazo? Não estou de forma alguma desmerecendo o valor diagnóstico desses exames, estou apenas levantando um contraponto. Muitos exames são realizados para a prática da chamada medicina defensiva. Muitos testes, porém, são realizados porque é menos trabalhoso pedir o exame do que entrar em atrito com o paciente. Ou ter que explicar a ele tudo que está supracitado. Muitos são realizados por imprudência ou desconhecimento técnico do próprio médico.

O fato é que exames demais podem causar ansiedade, câncer, sequelas de intervenções médicas desnecessárias, entre outros males e enfermidades. Por isso, a Sociedade Americana de Medicina criou uma série de tópicos para facilitar o diálogo entre pacientes e médicos sobre a necessidade ou não de certos exames. A lista dos tópicos choosing wisely – escolha sabiamente, numa tradução literal, ainda não disponível em português -, contou com a aderência de quase todas as associações de especialistas dos Estados Unidos, abordando indicações e contra-indicações da realização de exames e procedimentos. Essa ainda é uma cultura nova nos Estados Unidos e também aqui no Brasil. No entanto, vale a reflexão sobre o tema. Não deixe de abordar o assunto com o seu médico.

Paulo Camiz é professor, clínico geral e geriatra da Universidade de São Paulo e Hospital das Clínicas de São Paulo