Lançamento da Frente Holística – 18 de junho, às 14h em Brasília

É com grande alegria que convidamos a todos os terapeutas, entidades, associações e sindicatos ligados as terapias integrativas do Brasil para o relançamento da Frente Parlamentar Mista de Práticas Integrativas em Saúde – Frente Holística.

Dia 18 de junho, às 14h, no Plenário 14 da Câmara dos Deputados, Brasília/DF

Confirme presença pelo email cherini@giovanicherini.com O relançamento da Frente Holística se deve ao fato das frentes parlamentares serem arquivadas com a finalização de um mandato e necessitarem ser relançadas após o início de um mandato.

CONVITE FRENTE HOLISTICA-email

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Entrevista com o Presidente da Frente Holística

Abordando suas ideias sobre o paradigma holístico e seus projetos, em especial os sobre a saúde, Giovani Cherini concedeu entrevista ao blog Mundo Holístico. Cherini é o fundador e presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Práticas Integrativas em Saúde, a Frente Holística. Tendo formação em diferentes terapias e práticas integrativas em saúde, ele é um dos defensores desta bandeira na Câmara Federal.

Confira abaixo a entrevista do blog Mundo Holístico:

Entrevista com o Deputado Federal Giovani Cherini

Deputado, qual é a sua expectativa em relação ao 10º Encontro Holístico Brasileiro?

Desde que foi criado, há 10 dez anos, o evento só cresce. No ano passado tivemos 4.448 inscrições, 1.700 atendimentos e 78 expositores. 36 palestrantes do Brasil e do exterior se revezavam no palco. A minha expectativa é que o evento continue tendo a mesma energia e vibração das edições anteriores.

O que o levou a criar o Encontro Holístico Brasileiro?

O Encontro Holístico foi criado com o propósito de apresentar e debater as práticas integrativas em saúde, oferecer vivências nesse campo e homenagear às entidades, instituições, veículos e pessoas que se destacam na aplicação de terapias alternativas no campo da saúde e do meio ambiente.

Fale-nos um pouco sobre sua formação e interesse na área holística?

Me considero um Ser Holístico. Através dele, tenho uma visão sobre a maneira de ver o mundo, o homem e a vida em si como entidades únicas, completas e intimamente associadas. Holismo vem do grego holos, que significa inteiro ou todo, e representa um novo paradigma científico e filosófico. Consiste em uma forma de tentar unir o homem ao universo, onde ele está inserido, visando à integração dos seus aspectos físicos, emocionais, espirituais, mentais, etc. O ser humano não é somente matéria física, nem somente consciência, nem apenas emoções. Logo, levar em consideração apenas alguns desses aspectos isoladamente é perder de vista sua inteireza, sua integridade. O holismo não exclui, não condena, não separa. Não nega, nem afirma. Trata, tão somente, de construir pontes, de estabelecer conexões. Considera que em cada coisa esta representado o todo e que esse transcende a simples soma de suas partes. O pensamento holístico é profundamente ecológico, e, de acordo com ele, o indivíduo e a natureza não estão separados. Mais do que isso, formam um conjunto impossível de ser dissociado.

Recentemente o Senhor concedeu uma entrevista e falou que o problema do SUS é o foco na doença. Sabemos que é difícil mudarmos essa estrutura.

Reafirmo: o foco das autoridades está sendo a doença e não a saúde das pessoas. Por isso defendo a chamada Saúde Integrativa – combinação da medicinal convencional e das terapias complementares – possa mudar a triste lógica existente no nosso País, que é tratar da doença como a doença já contraída, e não a saúde dos brasileiros, de forma preventiva. E por que devem se integrar? Hoje a chamada medicina alopática é dominante no sistema de saúde do País. Concentra sua preocupação com a doença local, física, tumor, câncer, inflamação, inchação. Desconhece totalmente os princípios da origem das doenças. Não considera os sintomas energéticos, mentais e emocionais.

Qual a sua sugestão para esse problema? Há algum projeto na pauta do Congresso Nacional?

Existem vário projetos em tramitação. Pessoalmente, estou tentando fazer a minha parte no sentido de ver implantada algumas ações que tenha por objetivo melhorar a vida das pessoas. Sou autor do Projeto de Lei nº 4.186, de 2012, que cria o chamado remédio biblioterápico. Isso mesmo, a lei exigirá a presença de livros, devidamente autorizados pelo Ministério da Saúde, nos hospitais públicos, farmácias e drogarias. A aplicação da biblioterapia em pacientes adultos internados em unidades hospitalares tem como pretensão proporcionar uma internação menos dolorosa e agressiva, humanizando o tratamento hospitalar. Também apresentei o Projeto de Lei nº 4.455, de 2012, que dispõe sobre o uso da Terapia Assistida por Animais nos hospitais públicos contratados, conveniados e cadastrados no Sistema Único de Saúde — SUS. O projeto tem por objetivo a introdução de animal junto a um indivíduo ou grupo, como parte integrante do processo de tratamento que visa a promover a saúde física, social, emocional e/ou as funções cognitivas. A ONG Cão Amigo, em Curitiba, leva a dez instituições alegria e cura por meio dos bichos. Há décadas a presença de animais nos hospitais dos Estados Unidos é muito comum. As chamadas Terapias Assistidas por Animais também são usadas com sucesso no Canadá e na Europa.

Trata-se de um recurso que o adulto e a criança utilizam para se sentirem seguros. Afagar um animal permite abrir um espaço potencial para expressar a criatividade e lidar com as emoções, o que denota a sua importância, principalmente, nos processos de crise que advêm de períodos de hospitalização prolongados. Sou autor do Projeto de Lei nº 3.804, de 2012, que regulamenta o exercício da profissão de naturólogo, profissional que atua com as práticas terapêuticas naturais, integrativas e complementares, tradicionais ou associadas aos novos avanços da ciência, visando à promoção, à manutenção e à recuperação da saúde, que conta com o apoio da Associação Brasileira de Naturologia e da Associação Paulista de Naturologia. Sou autor também do Projeto de Lei nº 4.183, de 2012, que dispõe sobre diagnóstico e atendimento clínico aos portadores de depressão nas unidades de saúde componentes do Sistema Único de Saúde — SUS.

Por ser o parlamentar presidente da Frente Parlamentar de Práticas Integrativas em Saúde, na sua opinião, como as entidades da sociedade civil ligadas ao segmento holístico e profissionais dessa área podem contribuir para o avanço da Frente Parlamentar?

Importante destacar que a Frente Holística está quebrando o paradigma da saúde, no Brasil. Tem como principais objetivos, a criação das frentes em todos os estados (MG e RJ); Inclusão das Terapias Integrativas no SUS; Inclusão de Terapias Integrativas nos Programas de Saúde; Defender e divulgar novas tecnologias existentes no campo das práticas integrativas, destacando seus benefícios; e, Adoção de uma política nacional de saúde integrativa. Para participar dela basta aderir a Frente Parlamentar e participar das nossas atividades. A ficha de adesão pode ser preenchida no www.frenteholistica.wordpress.com.

Sabendo que o Brasil tem o título de campeão no uso exagerado de agrotóxicos. Na qualidade de integrante da Frente Parlamentar da Agricultura, qual a sua posição sobre o uso de agrotóxicos e o que pode ser feito para mudar essa situação?

O pensamento holístico é profundamente ecológico, e, de acordo com ele, o indivíduo e a natureza não estão separados. Mais do que isso, formam um conjunto impossível de ser dissociado. Por essa razão também defendo a produção de alimentos orgânicos.

Infelizmente, no momento, não temos como produzir alimentos sem a utilização de defensivos químicos. O que questiono é o exagero e a falta de consciência de quem os utiliza. O Brasil é um dos campeões mundiais de uso de agrotóxicos. Triste marca.

Para finalizar, deixe uma mensagem para nossos leitores e seus comentários finais.

Neste ano o tema do evento será FELICIDADE. Trabalhamos muito a SABEDORIA, que aliás, considero a parte suprema da FELICIDADE. A FELICIDADE é a nova ONDA Vibratória. Ela está dentro de cada um esperando que mudemos a nossa faixa vibratória para poder acolhê-la. A capacidade de ser feliz é a capacidade de perceber e valorizar a SAÚDE, o TRABALHO, a FAMÍLIA, os AMIGOS e a ESPIRITUALIDADE. Repita diariamente: Eu sou feliz agora!


Fonte: Entrevista com o Deputado Federal Giovani Cherini

Fitoterápicos: uma opção cada vez mais reconhecida pelos médicos

Entre as práticas integrativas em saúde, a fitoterapia destaca-se como uma das mais populares, por sua tradição, popularidade e universalidade. Diversas instituições trabalham pela promoção da fitoterapia no Brasil e sem dúvida a Frente Holística promove as suas qualidades.

Acreditamos que uma significativa parte de remédios e tratamentos onerosos pode ser reduzida e até substituída com práticas como a fitoterapia, vendo ela principalmente do ponto de vista da medicina preventiva (sem ignorar seu potencial como tratamento efetivo). Fármacos caros e agressivos ao corpo humano poderiam ser menos utilizados, sendo aplicados apenas quando fossem realmente úteis, já que tratamentos integrativos e complementares podem atuar na promoção da saúde.

As ervas e chás são uma riqueza que pode crescer em nosso jardim ou serem adquiridas facilmente. Todavia o seu uso não pode ser discriminado, já que não sendo utilizada da forma adequada pode gerar novos problemas, sendo assim necessário o auxílio de um terapeuta capacitado.

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares adotada pelo SUS contempla a fitoterapia entre as terapias recomendadas. Nas suas diretrizes gerais podemos destacar:

  • Provimento do acesso a medicamentos homeopáticos e fitoterápicos na perspectiva da ampliação da produção pública, assegurando as especificidades da assistência farmacêutica nestes âmbitos na regulamentação sanitária.
  • Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

O papel da Frente Holística é estimular a implementação destas diretrizes em todo o SUS, bem como a ampliação das práticas integrativas oferecidas. Este é uma das formas de resolver o problema do SUS, inviável em sua própria concepção e paradigma, já que uma abordagem que evita o adoecimento economiza recursos públicos e promove o bem estar da sociedade.

Veja abaixo duas matérias, uma do programa Bem Estar, com diferentes médicos apresentando características dos fitoterápicos e uma matéria do Diário Catarinense, que apresenta um médico que tem como principal tratamento o uso de plantas e chás.

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Médicos destacam os benefícios dos fitoterápicos para problemas de saúde

Hortelã, babosa, guaco, alcachofra e cáscara sagrada são exemplos.Postos de saúde de quase mil cidades brasileiras já têm medicamentos.

Os efeitos dos medicamentos fitoterápicos, feitos à base de plantas naturais, são conhecidos desde a Grécia Antiga, e cada vez mais esses remédios ganham espaço nas prateleiras das farmácias e dos postos de saúde. Unidades do Serviço Único de Saúde (SUS) de quase mil cidades brasileiras já oferecem esses produtos aos pacientes.

 

Os fitoterápicos podem ser usados para vários problemas de saúde, como tosse (guaco), colesterol alto (alcachofra), queimaduras (babosa), ansiedade e insônia (valeriana), sintomas da TPM (prímula), sintomas da pré-menopausa (isoflavona de soja), artrite e inflamações (unha-de-gato), dor lombar (garra-do-diabo e salgueiro), gases (espinheira-santa), prisão de ventre (cáscara sagrada e plantago) e depressão (erva-de-são-joão). É importante sempre tomar esses remédios com orientação médica, sobretudo quando for usado mais de um ao mesmo tempo.

 

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia, Alex Botsaris, se a planta for consumida como chá, é importante ficar atento à procedência dela, pois muitas folhas secas de diferentes espécies se parecem muito. O médico também fez um alerta sobre as folhas de graviola, que têm sido divulgadas na internet como uma cura para o câncer. Essa informação é mentirosa, e a planta ainda pode causar tremores semelhantes ao Parkinson.

Babosa fitoterápico

A dermatologista Márcia Purceli também falou sobre o uso de henna e henê nos cabelos. Segundo ela, não se deve nunca misturar henê com outras tintas, pois o cabelo pode cair.

 

A farmacêutica Caroly Cardoso explicou que muitos fitoterápicos são de venda livre nas farmácias. Na dúvida, peça ajuda ao médico e ao farmacêutico, e questione principalmente sobre possíveis interações com remédios que você já toma. Por exemplo, a erva-de-são-joão pode prejudicar o efeito de anticoagulantes. Caroly também disse que não há nenhuma comprovação científica sobre o uso de fitoterápicos para emagrecimento.

 

 

Experiência de médico catarinense mostra como é plenamente possível e vantajoso integrar a medicina convencional com as práticas integrativas.

 

Médico de Florianópolis receita plantas medicinais para curar doenças

Folhas de hortelã, alecrim, couve são distribuídas gratuitamente na unidade de saúde

Alecrim para curar depressão, manjericão para uma boa digestão, hortelã para desobstruir o nariz e matar os vermes, babosa para melhorar a pele e lavanda para relaxar. Estes são alguns dos “remédios” receitados para quem passa por uma consulta com o doutor Murilo Leandro Marcos, 30 anos, médico da família no Centro de Saúde da Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

 

Já na recepção os pacientes têm a disposição um vaso cheio de ervas, folhas e frutas que tem o poder de curar e prevenir doenças. Grande parte é plantado e colhido no jardim da unidade, um trabalho conjunto realizado entre o médico, funcionários do posto e a comunidade local, que existe há cerca de três anos, mas voltou com força total em 2014. Na plantação é possível encontrar couve, beterraba, hortelã, alecrim e outras plantas e flores. As folhas que caem de uma árvore próxima são aproveitadas para manter a terra úmida.

 

O consultório do médico meio hippie — diz brincando — tem paredes lilás, plantinhas, mel, mandala na parede e um ouvido aberto para escutar as dores do corpo e da alma de cada paciente. A medicina praticada por doutor Murilo na unidade desde 2011 é centrada nas pessoas:

 

— Cada caso é avaliado individualmente, vejo todo o contexto, a família, o local onde vive. Com isso busco um equilibro entre a medicina tradicional e a moderna, e a cultura do bairro aceita muito bem. Os remédios tradicionais têm muitos efeitos colaterais, e as pessoas já viram que um chá pode ser muito potente — explica.

 

As práticas integrativas desenvolvidas na unidade são todas regularizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo do médico e da equipe é transformar o posto em exemplo para todo o Brasil:

 

— Os moradores podem fazer acupuntura e outras terapias alternativas, participar de grupos de gestantes, fumantes, e isso envolve toda a comunidade. Futuramente queremos construir uma tenda de integração no espaço que temos no jardim, e a associação de moradores já avisou que vai contribuir — conta.

 

Não sabemos os resultados dos fármacos nas crianças a longo prazo – Entrevista com Allen Frances, parte II

A Medicalização da vida afeta em especial as crianças, sobretudo quando falamos em tratamentos para comportamento, os famosos diagnósticos de déficit de atenção, sendo tratados em especial com ritalina. Allen Frances é um renomado psiquiatra organizador de uma das edições do principal compilado de doenças psiquiátricas, o Manual Diagnóstico e Estatístico. Acompanhando as edições seguintes e conversando com seus pares, Allen fala claramente que mais e mais comportamentos normais estão sendo catalogados como doenças, com os seus respectivos tratamentos com fármacos.

Na primerai parte da entrevista publicada aqui “Estamos transformando problemas cotidianos em doenças mentais – Entrevista com Allen Frances, parte I” ele deixa isso claro. Confira a sequência desta entrevista: No site da Frente Holística já falamos sobre o excesso de medicação e seus possíveis tratamentos sem drogas. Esta entrevista fala como estamos perdendo a referência do que é um comportamento “normal”, ou seja, considerando todos os altos e baixos da existência humana. Poderíamos ir além e falar de uma visão holística do ser humano, compreendendo-o em sua complexidade e profundidade. Assim, doenças seriam um processo a ser compreendido como um todo, não apenas como um desequilíbrio a ser corrigido de forma maquinal, seja ele biológico ou psíquico. Nisto, a medicina convencional e as práticas integrativas em saúde só te a contribuir uma com a outra.

É parte dos objetivos da Frente Holística mudar esse quadro no Brasil, estimulando um novo paradigma em saúde, mais integral e amplo, focado na saúde, não na doença, e informar e educar a sociedade para que tenha conhecimento do quadro atual. Leia a entrevista completa abaixo e diga quais partes são mais interessantes para você. Acompanhe a Frente Holística na página do Facebook.

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Em 2009, um estudo realizado na Holanda concluiu que 34% das crianças entre 5 e 15 anos eram tratadas por hiperatividade e déficit de atenção. É crível que uma em cada três crianças seja hiperativa? R. Claro que não. A incidência real está em torno de 2% a 3% da população infantil e, entretanto, 11% das crianças nos EUA estão diagnosticadas como tal e, no caso dos adolescentes homens, 20%, sendo que metade é tratada com fármacos. Outro dado surpreendente: entre as crianças em tratamento, mais de 10.000 têm menos de três anos! Isso é algo selvagem, desumano. Os melhores especialistas, aqueles que honestamente ajudaram a definir a patologia, estão horrorizados. Perdeu-se o controle.

 

P. E há tanta síndrome de Asperger como indicam as estatísticas sobre tratamentos psiquiátricos?

R. Esse foi um dos dois novos transtornos que incorporamos no DSM IV, e em pouco tempo o diagnóstico de autismo se triplicou. O mesmo ocorreu com a hiperatividade. Calculamos que, com os novos critérios, os diagnósticos aumentariam em 15%, mas houve uma mudança brusca a partir de 1997, quando os laboratórios lançaram no mercado fármacos novos e muito caros, e além disso puderam fazer publicidade. O diagnóstico se multiplicou por 40.

 

P. A influência dos laboratórios é evidente, mas um psiquiatra dificilmente prescreverá psicoestimulantes a uma criança sem pais angustiados que corram para o seu consultório, porque a professora disse que a criança não progride adequadamente, e eles temem que ela perca oportunidades de competir na vida. Até que ponto esses fatores culturais influenciam?

R. Sobre isto tenho três coisas a dizer. Primeiro, não há evidência em longo prazo de que a medicação contribua para melhorar os resultados escolares. Em curto prazo, pode acalmar a criança, inclusive ajudá-la a se concentrar melhor em suas tarefas. Mas em longo prazo esses benefícios não foram demonstrados. Segundo: estamos fazendo um experimento em grande escala com essas crianças, porque não sabemos que efeitos adversos esses fármacos podem ter com o passar do tempo. Assim como não nos ocorre receitar testosterona a uma criança para que renda mais no futebol, tampouco faz sentido tentar melhorar o rendimento escolar com fármacos. Terceiro: temos de aceitar que há diferenças entre as crianças e que nem todas cabem em um molde de normalidade que tornamos cada vez mais estreito. É muito importante que os pais protejam seus filhos, mas do excesso de medicação.

 

P. Na medicalização da vida, não influi também a cultura hedonista que busca o bem-estar a qualquer preço?

R. Os seres humanos são criaturas muito maleáveis. Sobrevivemos há milhões de anos graças a essa capacidade de confrontar a adversidade e nos sobrepor a ela. Agora mesmo, no Iraque ou na Síria, a vida pode ser um inferno. E entretanto as pessoas lutam para sobreviver. Se vivermos imersos em uma cultura que lança mão dos comprimidos diante de qualquer problema, vai se reduzir a nossa capacidade de confrontar o estresse e também a segurança em nós mesmos. Se esse comportamento se generalizar, a sociedade inteira se debilitará frente à adversidade. Além disso, quando tratamos um processo banal como se fosse uma enfermidade, diminuímos a dignidade de quem verdadeiramente a sofre.

 

P. E ser rotulado como alguém que sofre um transtorno mental não tem consequências também?

R. Muitas, e de fato a cada semana recebo emails de pais cujos filhos foram diagnosticados com um transtorno mental e estão desesperados por causa do preconceito que esse rótulo acarreta. É muito fácil fazer um diagnóstico errôneo, mas muito difícil reverter os danos que isso causa. Tanto no social como pelos efeitos adversos que o tratamento pode ter. Felizmente, está crescendo uma corrente crítica em relação a essas práticas. O próximo passo é conscientizar as pessoas de que remédio demais faz mal para a saúde.

 

P. Não vai ser fácil…

R. Certo, mas a mudança cultural é possível. Temos um exemplo magnífico: há 25 anos, nos EUA, 65% da população fumava. Agora, são menos de 20%. É um dos maiores avanços em saúde da história recente, e foi conseguido por uma mudança cultural. As fábricas de cigarro gastavam enormes somas de dinheiro para desinformar. O mesmo que ocorre agora com certos medicamentos psiquiátricos. Custou muito deslanchar as evidências científicas sobre o tabaco, mas, quando se conseguiu, a mudança foi muito rápida.

 

P. Nos últimos anos as autoridades sanitárias tomaram medidas para reduzir a pressão dos laboratórios sobre os médicos. Mas agora se deram conta de que podem influenciar o médico gerando demandas nos pacientes.

R. Há estudos que demonstram que, quando um paciente pede um medicamento, há 20 vezes mais possibilidades de ele ser prescrito do que se a decisão coubesse apenas ao médico. Na Austrália, alguns laboratórios exigiam pessoas de muito boa aparência para o cargo de visitador médico, porque haviam comprovado que gente bonita entrava com mais facilidade nos consultórios. A esse ponto chegamos. Agora temos de trabalhar para obter uma mudança de atitude nas pessoas.

 

P. Em que sentido?

R. Que em vez de ir ao médico em busca da pílula mágica para algo tenhamos uma atitude mais precavida. Que o normal seja que o paciente interrogue o médico cada vez que este receita algo. Perguntar por que prescreve, que benefícios traz, que efeitos adversos causará, se há outras alternativas. Se o paciente mostrar uma atitude resistente, é mais provável que os fármacos receitados a ele sejam justificados.

 

P. E também será preciso mudar hábitos.

R. Sim, e deixe-me lhe dizer um problema que observei. É preciso mudar os hábitos de sono! Vocês sofrem com uma grave falta de sono, e isso provoca ansiedade e irritabilidade. Jantar às 22h e ir dormir à meia-noite ou à 1h fazia sentido quando vocês faziam a sesta. O cérebro elimina toxinas à noite. Quem dorme pouco tem problemas, tanto físicos como psíquicos.

 

Práticas integrativas em saúde e medicina convencional são tema de debate na TV Câmara

O deputado Giovani Cherini deu a sua contribuição ao programa de debates Participação Popular, da TV Câmara, do dia 14/01/2015.

O tema desta edição são as complementariedades, relações e problemas que podem existir entre as práticas integrativas em saúde, popularmente chamada de “terapias alternativas” e a medicina convencional.

Cherini fala do seu trabalho sobre a Frente Parlamentar em Defesa das Práticas Integrativas em Saúde, a Frente Holística, bem como de alguns problemas sérios na forma de ver da gestão publica da saúde e de alguns setores.

Entre os temas abordados nas diferentes respostas e colocações do deputado, pode-se destacar:

  • A caminho da saúde no Brasil está equivocado, ele foca na doença, não na saúde.
  • Há a necessidade de um conselho federal de terapias complementares, regulamentação das práticas e formação dos terapeutas, padronização de cursos e formações, leis, etc.
  • O grande caminho para a saúde da população é a prevenção, as práticas integrativas tem um imenso papel preventivo e complementar, junto com a medicina convencional, pegando o melhor de ambas.
  • Diminuir as filas do SUS poderia ser um grande méritos das PIS, educando as pessoas, revertendo as doenças em suas fazes iniciais.
  • A aceitação das PIS pode ser estranha no início, mas depois dos resultados, passa a ter grande aceitação e procura.
  • Para mudar as PIC no SUS é necessário mudar o pensamento.
  • Alem do saber acadêmico, existem outros saberes, o da prática, o da experiência. Não existe espaço para a sabedoria e para outros conhecimentos, tendo diploma pode fazer tudo como bem entender. Eis um dos motivos para tantos escanda-los e corrupção neste meio.
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Escola brasileira aumenta notas com prática de Ioga e meditação

As práticas integrativas em saúde não estão apenas para curar enfermidades, mas veem a cura como uma consequência de um reequilíbrio natural do ser humano, físico, psíquico, mental e espiritual. Da mesma forma, aplicando esta visão à educação, quando o rendimento escolar está baixo pode ser porque as crianças não estão conseguindo desenvolver o seu potencial, não porque não tem potencial. Diante de notas baixas a resposta óbvia seria “aumentar o estudo”, mas porque não perguntar-se o que está perturbando e evitando o aprendizado?

Uma escola em São Paulo tem aplicado um método fantástico antes das aulas: 20 minutos de prática de Ioga e meditação com as crianças. Segundo os relatos dos professores e alunos, as mudanças são evidentes, tanto no comportamento e qualidade do ambiente, quanto nas notas, é claro.

A Frente Holística prega a valorização e a ampliação do acesso às práticas integrativas em saúde no SUS pois conhece os seus benefícios para a sociedade, não só em tratamentos, mas também em economia e eficiência. Seria interessante os educadores verem o potencial de uma prática integrativa como a meditação para a qualidade do ensino.

Confira abaixo a matéria que saiu na Folha de São Paulo e deixe sua opinião nos comentários. Acompanhe a página do Facebook.

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Com ioga e meditação na escola, alunos tiram até notas mais altas

 

A meditação mudou a rotina de alunos de uma escola de São Paulo, que é feita antes das aulas de matemática, português etc.

 

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Desde o começo do ano, a prática acontece todos os dias com as 134 crianças do Centro de Apoio O Visconde, no Real Parque (zona oeste da cidade).

 

Começa no pátio. Deitados, os alunos fazem 20 minutos de ioga (conjunto de exercícios físicos e de respiração). Guardam os colchonetes e seguem em fila para uma sala de aula.

 

Lá, eles praticam mais 20 minutos de meditação. Sentados em posição confortável –alguns esparramados na carteira– fecham os olhos e mentalizam palavras ou sons.

“Antes eu gritava toda hora, agora fico mais calma”, diz Leticielly Silva, 10. “Medito em casa também, de vez em quando.” Ela ensinou a técnica para ajudar um amigo da escola que, segundo ela, “só fazia bagunça”.

 

Orientadora do centro, Glenir Monte, 31, diz que a mudança de comportamento é visível. “Antes eles tinham muito problema de relacionamento, hoje convivem melhor”, conta.

Gabriel Souza, 11, é um dos ficou mais “zen” desde que começou a meditação. Mas o garoto nem sempre gosta das aulas. “Às vezes fico entediado, demora muito.” Ele, no entanto, reconhece. “Acho que agora consigo prestar mais atenção na escola. Outro dia tirei até 9 em geografia, que eu detesto.”

 

“O ideal seria que as aulas fossem incorporadas ao dia a dia das escolas”, diz Flávia Baptista, 38, diretora da Sociedade Internacional de Meditação. “Mas é difícil, porque têm que cumprir a carga horária.

 

Um olhar holístico no Supremo Tribunal Federal

Inaugurando nossa sessão de vídeos no site da Frente Holística, começamos com um conteúdo que não diz respeito diretamente às práticas integrativas em saúde, mas sim ao campo do paradigma holístico. O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Ayres Brito, além de jurista respeitado, é poeta e tem profundo apreço pela literatura e filosofia. O documentário Tempo e História, da TV Justiça, apresentou um pouco do pensamento do ex-ministro do STF, Ayres Britto, e nele encontramos ideias muito interessantes, ainda mais vindas de um homem com notável papel público e político.

Veja abaixo o momento em que ele fala do pensamento a respeito sobre “o todo”:

Aqui um trecho da fala:

Eu quero é pertencer ao todo, não quero mais me comprometer com uma parte do todo. Holisticamente eu quero o visual do todo, o experimento do todo como se o todo fosse um todo sem parte. E de certa maneira é, não é? É possível viver o todo como um todo sem partes. É a história do barco vazio. É aquilo que o momento determina, impõe, convence você de que é assim, pronto. Não significa que aquilo vai durar para sempre, você pode mudar de opinião, mas partido político e confissão religiosa eu já não tenho nenhum propósito de me filiar e me vincular, a nenhum deles.

 

A religião é uma ponte. Como diria Hegel, há uma ideia incriada que é o criador de todo as coisas. É uma entidade que não tem nem princípio, nem meio, nem fim. Então eu não preciso mas da mediação dos sacerdotes, dos pastores, dos rabinos, não preciso. Eu me conecto diretamente com o que eu acredito ser a fonte da vida. Então estou satisfeito assim.

 

Entrevistador: O senhor medita?

 

Sim, eu faço há mais de vinte anos meditação oriental.

 

Ayres Britto

 

Ainda sobre a meditação, Ayres Brito deu uma entrevista à Folha onde ele fala sobre o seu processo, leia o trecho:

 

Folha – Quando foi sua iniciação no campo da meditação?

Carlos Ayres Britto – De uns 20 anos para cá, tanto a meditação quanto o cardápio vegetariano. Eu tinha em torno de 50 anos, um pouco antes, até.

 

Como o sr. se converteu?

Eu recebi influências positivas, de, por exemplo, [Jiddu] Krishnamurti [1895-1986, guru indiano], Osho [Rajneesh, 1931-90, místico indiano], Eva Pierrakos [1915-79, médium austríaca], Eckhart Tolle [pseudônimo de Urich Leonard Tolle, escritor espiritualista nascido em 1948], autor do livro “O Poder do Agora”, e a pessoa que mais me influenciou, Heráclito [de Éfeso, c. 540-c. 480 a.C., pré-socrático que elegeu o fogo e a permanente transformação como princípio da ordem universal].

 

Depois, de uns 12 anos para cá, comecei a me interessar por física quântica, e ela me pareceu uma confirmação de tudo o que os espiritualistas afirmam. A física quântica, sobretudo os escritos de Dannah Zohar [especializada em aconselhamento espiritual e profissional]. Venho lendo os livros dessa mulher, uma americana que escreveu uma trilogia maravilhosa: “O Ser Quântico”, “A Sociedade Quântica” e “QS – Inteligência Espiritual”. Também passei a me interessar muito por neurociência.

 

O sr. tinha religião?

Católica, só que, de 20 anos para cá, me tornei um espiritualista.

 

 

Holismo é saber ver o todo, entender que ele é mais que a simples soma de suas partes, já que a relação entre as partes tornam as coisas mais complexas e profundas, seja na saúde, na filosofia, na política e na sociedade. A Frente Holística busca a mudança do paradigma da saúde convencional, que vê paciente, sociedade, sintomas, doenças, remédios e tratamentos como partes separadas e propor uma visão holística na saúde, através do imenso aporte das práticas integrativas em saúde.

O senhor Ayres Britto já havia sido reconhecido por seu pensamento e visão de mundo pelo presidente da Frente Holística, Giovani Cherini, quando este exercia o mandato de deputado estadual, na Assembléia gaúcha. Cherini concedeu ao então ministro Ayres Brito a Medalha do Mérito Farroupilha, em 2010.

 

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Estamos transformando problemas cotidianos em doenças mentais – Entrevista com Allen Frances, parte I

Entrevista com allen frances

A frase “Transformamos problemas cotidianos em transtornos mentais” talvez seja a grande síntese desta notável entrevista de Allen Frances para o jornal El Pais Brasil, a qual reproduziremos em três partes aqui na Frente Holística. Allan lançou um livro recentemente chamado “Salvando o Normal” no qual ele faz uma severa crítica ao Manual Diagnóstico e Estatístico, famosa bíblia da psiquiatria. Este manual é a base para definir os diagnósticos, ou seja, defini o que é doença e o que não é. Mas ele não é um crítico qualquer, altamente especializado em psiquiatria, ele foi o diretor da equipe que escreveu o 4º manual, logo podemos ter uma visão crítica desde dentro.

No site da Frente Holística já falamos sobre o excesso de medicação e seus possíveis tratamentos sem drogas. Esta entrevista fala como estamos perdendo a referência do que é um comportamento “normal”, ou seja, considerando todos os altos e baixos da existência humana. Poderíamos ir além e falar de uma visão holística do ser humano, compreendendo-o em sua complexidade e profundidade. Assim, doenças seriam um processo a ser compreendido como um todo, não apenas como um desequilíbrio a ser corrigido de forma maquinal, seja ele biológico ou psíquico. Nisto, a medicina covêncional e as práticas integrativas em saúde só te a contribuir uma com a outra.

Quanta riqueza a indústria farmacêutica já acumulou para si de forma indigna, apenas estimulando a doença? Quantos seres humanos perfeitamente saudáveis que poderiam ter vidas plenas foram indevidamente diagnosticados e medicados, levando para toda a vida o rótulo de “doentes” e “desequilibrados”, dependentes de drogas para serem “normais”? É a medicalização da vida, indicada por Allen.

Quantas pessoas que realmente necessitavam de tratamento não tiveram oportunidade para tê-lo de forma digna porque a gestão pública gastou exageradamente em casos desnecessários? E por ai vamos nos questionando, e o quadro continua e piora.

É parte dos objetivos da Frente Holística mudar esse quadro no Brasil, estimulando um novo paradigma em saúde, mais integral e amplo, focado na promoção da saúde, e informar e educar a sociedade para que tenha conhecimento do quadro atual.

Leia a a primeira parte da entrevista abaixo e deixe as suas opiniões nos comentários. Acompanhe a Frente Holística na página do Facebook.

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Transformamos problemas cotidianos em transtornos mentais

Catedrático emérito da Universidade Duke comandou a redação da ‘bíblia’ dos psiquiatras

Allen Frances (Nova York, 1942) dirigiu durante anos o Manual Diagnóstico e Estatístico (DSM), documento que define e descreve as diferentes doenças mentais. Esse manual, considerado a bíblia dos psiquiatras, é revisado periodicamente para ser adaptado aos avanços do conhecimento científico. Frances dirigiu a equipe que redigiu o DSM IV, ao qual se seguiu uma quinta revisão que ampliou enormemente o número de transtornos patológicos. Em seu livro Saving Normal (inédito no Brasil), ele faz uma autocrítica e questiona o fato de a principal referência acadêmica da psiquiatria contribuir para a crescente medicalização da vida.

 

Pergunta. No livro, o senhor faz um mea culpa, mas é ainda mais duro com o trabalho de seus colegas do DSM V. Por quê?

Resposta. Fomos muito conservadores e só introduzimos [no DSM IV] dois dos 94 novos transtornos mentais sugeridos. Ao acabar, nos felicitamos, convencidos de que tínhamos feito um bom trabalho. Mas o DSM IV acabou sendo um dique frágil demais para frear o impulso agressivo e diabolicamente ardiloso das empresas farmacêuticas no sentido de introduzir novas entidades patológicas. Não soubemos nos antecipar ao poder dos laboratórios de fazer médicos, pais e pacientes acreditarem que o transtorno psiquiátrico é algo muito comum e de fácil solução. O resultado foi uma inflação diagnóstica que causa muito dano, especialmente na psiquiatria infantil. Agora, a ampliação de síndromes e patologias no DSM V vai transformar a atual inflação diagnóstica em hiperinflação.

 

P. Seremos todos considerados doentes mentais?

R. Algo assim. Há seis anos, encontrei amigos e colegas que tinham participado da última revisão e os vi tão entusiasmados que não pude senão recorrer à ironia: vocês ampliaram tanto a lista de patologias, eu disse a eles, que eu mesmo me reconheço em muitos desses transtornos. Com frequência me esqueço das coisas, de modo que certamente tenho uma demência em estágio preliminar; de vez em quando como muito, então provavelmente tenho a síndrome do comedor compulsivo; e, como quando minha mulher morreu a tristeza durou mais de uma semana e ainda me dói, devo ter caído em uma depressão. É absurdo. Criamos um sistema de diagnóstico que transforma problemas cotidianos e normais da vida em transtornos mentais.

 

P. Com a colaboração da indústria farmacêutica…

R. É óbvio. Graças àqueles que lhes permitiram fazer publicidade de seus produtos, os laboratórios estão enganando o público, fazendo acreditar que os problemas se resolvem com comprimidos. Mas não é assim. Os fármacos são necessários e muito úteis em transtornos mentais severos e persistentes, que provocam uma grande incapacidade. Mas não ajudam nos problemas cotidianos, pelo contrário: o excesso de medicação causa mais danos que benefícios. Não existe tratamento mágico contra o mal-estar.

 

P. O que propõe para frear essa tendência?

R. Controlar melhor a indústria e educar de novo os médicos e a sociedade, que aceita de forma muito acrítica as facilidades oferecidas para se medicar, o que está provocando além do mais a aparição de um perigosíssimo mercado clandestino de fármacos psiquiátricos. Em meu país, 30% dos estudantes universitários e 10% dos do ensino médio compram fármacos no mercado ilegal. Há um tipo de narcótico que cria muita dependência e pode dar lugar a casos de overdose e morte. Atualmente, já há mais mortes por abuso de medicamentos do que por consumo de drogas.

 

A indústria da doença: esquema de corrupção desvia dinheiro do SUS e fatura criando falsos dignosticos e tratamentos

O atual paradigma da saúde, focado na doença, e que já foi apontado como um dos problemas do SUS, fala em levar a saúde às pessoas, mas, em sua pior face, promove uma indústria da doença que dá margem à corrupção.

O programa Fantástico exibiu reportagem investigativa que expõe esquema entre fabricantes, distribuidores, médicos e outros envolvidos na aplicação de próteses desnecessárias para pacientes. Essa rede movimenta milhões no Brasil, enganando o SUS e planos de saúde, faturando sobre o sofrimento das pessoas, em seu momento mais delicado: a doença.

A Frente Holística trabalha para mudar o paradigma de saúde no Brasil, buscando a promoção da saúde e sua manutenção, concebendo o ser humano de forma holística e integral. Assim, diversos tratamentos, medicamentos e também próteses não seriam necessários, pois médicos e terapeutas atuariam antes, de forma preventiva, promovendo a saúde, não gerenciando a doença. Muito seria economizado em recursos humanos e capital público e privado.

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Máfia das próteses coloca vidas em risco com cirurgias desnecessárias

Médicos chegam a faturar R$ 100 mil por mês em esquema que desvia dinheiro do SUS e encarece planos de saúde.

 

Já imaginou médicos que mandam fazer cirurgias de próteses sem necessidade, só para ganhar comissão sobre o preço desses implantes? Ou então gastar muito mais material do que o necessário, também para faturar um dinheiro por fora? Esses golpes milionários, dados pela máfia das próteses, são o tema da reportagem de Giovanni Grizotti, que você vai ver agora.

O Fantástico revela um retrato escandaloso do que acontece dentro de alguns consultórios e hospitais do Brasil. O Fantástico investigou, durante três meses, um esquema que transforma a saúde do país em um balcão de negócios.

O repórter Giovani Grizotti viajou por cinco estados e se passou por médico para flagrar as negociatas. Empresas que vendem próteses oferecem dinheiro para que médicos usem os seus produtos.

 

Mercado de próteses movimenta anualmente R$ 12 bilhões no Brasil

“Normalmente o que eles utilizavam era aquela que vendia o material mais caro e que pagava a comissão maior”, conta uma testemunha.

Até cirurgias desnecessárias eram feitas, só para ganhar mais.

“Sacolas de dinheiro não surgem do nada e não são dadas à toa”, diz A testemunha.

O esquema usa documentos falsos para enganar a Justiça. Uma indústria de liminares que explora o sofrimento de pacientes, desvia o dinheiro do SUS e encarece os planos de saúde.

“Esse mercado de prótese no Brasil, ele hoje tem uma organização mafiosa. É uma cadeia, onde você tem o distribuidor, você tem o fabricante que se omite e você tem na outra ponta o médico ou o agente que vai implantar a prótese”, conta Pedro Ramos, diretor da associação dos planos de saúde.

O mercado de próteses movimenta anualmente R$ 12 bilhões no Brasil. Elas têm várias finalidades, desde simples parafusos para corrigir fraturas até peças complexas que substituem partes inteiras do corpo. As operações são caras.

“Ortopedia, neuro e cardiologia são os mais lucrativos”, revela uma testemunha.

Esta testemunha que falou ao Fantástico conhece bem os bastidores das negociatas. Durante dez anos, ela trabalhou para quatro distribuidores no Rio Grande do Sul. Ela explica como são calculadas as comissões dos médicos.

“É feito um levantamento mensal em nome do médico. Quantas cirurgias foram feitas o uso do material tal , ‘x’. E ali a gente faz o levantamento. Em cima disso a gente tira o percentual dele”, conta a testemunha.

 

Fantástico: Quanto um médico chega a faturar?
Testemunha: De R$ 5 mil a R$ 50 mil, R$ 60 mil, R$ 100 mil.

 

Investigação começou no RJ durante um Congresso Internacional

A investigação do Fantástico começa no Rio de Janeiro, durante um Congresso Internacional de Ortopedia, onde os fabricantes expõem seus lançamentos. E alguns conquistam a confiança dos médicos não só pela qualidade, mas por outras vantagens.

“A gente consegue chegar a 20%”, diz um representante da Oscar Iskin.
“20?”, pergunta o repórter do Fantástico.
“É. É o que o senhor vai achar aí no mercado”, responde o representante.

Vinte por cento é a comissão que o médico recebe para indicar ao paciente a prótese vendida pela Oscar Iskin. E o pagamento é em dinheiro vivo.

 

Fantástico: Em dinheiro, espécie?
Representante da Oscar Iskin: É. Espécie.

As negociatas se repetem em outras empresas. O sócio da empresa Totalmedic, de São Paulo, oferece um pouco mais.

 

Fantástico: Mas é o quê? 20?
Sócio da Totalmedic: 30.
Fantástico: 30? Ó.
Sócio da Totalmedic: Eu prefiro deitar e dormir tranquilo.

Acompanhado do diretor, o vendedor da distribuidora Life X também faz a sua oferta.

 

Fantástico: Como é que vocês trabalham a questão comercial, assim, a relação com os médicos?
Vendedor da Life X: Olha, hoje a gente está com parceria em questão de 25%.

 

Fantástico: 25%.
Vendedor da Life X: A maioria das vezes é dinheiro, é espécie.

Veja um exemplo de quanto dinheiro um médico pode ganhar em comissões, dado pela mulher que era responsável pela contabilidade de uma grande clínica em São Paulo. “Aquilo ali parecia uma quadrilha. Uma quadrilha agindo e lesando a população. É uma quadrilha. Um exemplo que eu tenho aqui: R$ 260 mil de cirurgia, R$ 80 mil para a conta do médico. Aqui a gente tem uma empresa pagando R$ 590 mil de comissão para o médico no período aqui de seis meses”, conta ela.

Para dar aparência de legalidade às comissões, muitas empresas pediam que os médicos assinassem contratos de consultoria.

“Onde o médico não presta consultoria alguma. Ele usa material, só isso”, diz a testemunha.

Esse é o método usado pela Orcimed, de São Paulo, para incluir, na declaração de renda da empresa, comissões de até 30% aos médicos.

 

Fantástico: Mas qual é o argumento para justificar a consultoria?
Gerente da Orcimed: Faz consultoria de produtos.

A conversa foi gravada em um congresso voltado para dentistas e médicos especializados em cirurgias ortopédicas na face, em Campinas, interior de São Paulo. O gerente da empresa explica que a manobra evita problemas com a Receita Federal.

Gerente da Orcimed: O governo não está nem aí para isso. Quer saber o seguinte: está pagando? Pagou o meu? ‘Pagou’. Está tudo bem.

 

Fantástico: Questão ética?
Gerente da Orcimed: Ética não interessa a ele. Não quer saber. Ele não discute ética. Discute grana. Pagou o meu? Pagou. Dane-se agora.

 

Fraudes em licitações

Só no Sistema Único de Saúde, o SUS, são realizadas, por ano, 7 milhões de cirurgias que usam próteses. E algumas empresas oferecem meios de fraudar licitações de hospitais públicos.

É o caso da IOL, de São Paulo. O repórter se apresentou como diretor de um hospital público que queria comprar material. O gerente diz que dá para manipular a concorrência, para que a empresa vença. Para isso, basta exigir no edital alguma característica do implante que seja exclusiva da IOL. Nesse caso, é o diâmetro dos furos onde vão os parafusos que fixam as próteses.

Gerente da IOL: Geralmente o pessoal tem 10, 12, 14.
Fantástico: Aí, no caso, num edital?
Gerente da IOL: A gente coloca 13.
Fantástico: Como?
Gerente da IOL: Bota 13, 15… 11, 13,15.
Fantástico: No caso, tem algum acerto depois daí, alguma…
Gerente da IOL: Tem. É o edital, o volume do edital, como vai ser o preço do edital. A única coisa na vida que não dá para negociar é a morte.

A Brumed, de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, chegou a montar empresas de fachada em nome de funcionários para emitir orçamentos falsos.

Bruno Garisto, dono da Brumed: Uma está no nome do Rodrigo. Outra está no nome do Hugo.
Fantástico: Quem é o Rodrigo?
Bruno Garisto: Rodrigo é um de Manaus, funcionário meu que mexe com coluna.
Fantástico: E o Hugo?
Bruno Garisto: E o Hugo é o que mexe com ortopedia.

Em troca dos contratos, o dono da Brumed paga comissões de 25%.

Bruno Garisto: Vai ter bastante volume?
Fantástico:  Vai ter. Te garanto.
Bruno Garisto: Se tiver bastante volume, dá pra chegar nuns 25.
Fantástico: 25?
Bruno Garisto: É.
Fantástico: Vamos chegar ali então. Nós somos do Fantástico e o senhor admitiu a prática de vários crimes.
Bruno Garisto: Olha, né… Brasil, né… todo mundo pega essa situação de querer alguma coisa no que produz. Então, isso o Brasil inteiro está assim.
Fantástico: O senhor admitiu fraude em licitação, falsidade ideológica, pagamento de comissões a médicos?
Bruno Garisto: Não.
Fantástico: Por que o senhor está negando algo que o senhor acabou de admitir?
Bruno Garisto: Olha, a gente não paga comissão. Entendeu?
Fantástico: O senhor nunca disse que repassa 25% de comissão?
Bruno Garisto: Não, nunca repasso.

 

Fraude de R$ 7 milhões no plano de saúde dos Correios no RJ

Um esquema do mesmo tipo, com comissões e orçamentos falsos, também alimentou uma fraude de pelo menos R$ 7 milhões no plano de saúde dos Correios no Rio de Janeiro.

Flagrado pela Polícia Federal, João Maurício Gomes da Silva, ex-assessor da Diretoria Regional dos Correios fez um acordo de delação premiada e contou detalhes do golpe.

“Aquela empresa que, teoricamente, dizemos que era parceira, ela apresentava, já vinham com duas ou três orçamentos montados. Então sempre determinando quem estaria levando naquela determinada cirurgia, quem seria a beneficiada”, diz João Maurício Gomes da Silva, ex-assessor da diretoria regional dos Correios.

Ele mostra o exemplo de uma cirurgia de coluna que custou quase R$ 1 milhão ao plano dos Correios.

“Bem paga, muito bem paga, num preço normal, de repente, a uns R$ 180 mil, no máximo uns R$ 200 mil.”, conta o ex-assessor da diretoria regional dos Correios.

Para justificar operações tão caras, os médicos cobravam por produtos que sequer eram usados.

“Ele multiplicava mil, duas mil vezes a necessidade dessa massa com a ideia de que conseguiria justificar isso tecnicamente que o organismo absorvia essa massa”, explica João Maurício Gomes da Silva.

A massa é como um cimento para firmar os parafusos que fixam as próteses.

 

Representantes de empresa em SC dão detalhes sem constrangimento

A artimanha de cobrar por material não utilizado é comum nesse mercado negro. Os representantes da empresa Strehl, de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, dão detalhes sem constrangimento.

Representante da Strehl: No raio-X ou qualquer outra coisa, não aparece. Aí você pode inventar, entendeu? Usei seis.
Fantástico: Não aparece… Ele não vai ter como provar que eu usei três.

Veja o que pode render a comissão paga por uma única cirurgia de face:

Representante da Strehl: Tu vai ganhar em torno de uns R$ 18 mil, R$ 20 mil.
Fantástico: Para um custo total de…?
Representante da Strehl: Aí depende de quanto o senhor pedir, quanto mais pedir, mais ganha. O pessoal pede. Tudo que dá para pedir, o pessoal pede.
Fantástico: Até exagera um pouquinho, né?
Representante da Strehl: Sempre, né? Sempre exagerado.

E o abuso vai além. Outra tática é até motivo de piada para os vendedores.

Representante da Strehl: A gente até riu quando eu soube disso aí. Que eles entortaram a placa, eles tentaram usar, mas aí eles não conseguiram.
Fantástico: E aí tiveram que colocar outra?
Representante da Strehl: Aí tiveram que colocar outra.

Ou seja, danificaram uma prótese de propósito para poder cobrar duas vezes. E o rendimento é dividido.

Representante da Strehl: É. Tira o custo do material. E o lucro a gente divide em dois.
Fantástico: Meio a meio?
Representante da Strehl: Meio a meio.

É tanta desfaçatez que surgiu uma nova especialidade em alguns hospitais: os fiscais de cirurgia. Médicos contratados por planos de saúde para vigiar as operações mais caras.

“Alguns determinados materiais não deixam registro, então, quando são implantados, não aparecem em filmes radiológicos e é necessário que seja acompanhado para ver efetivamente qual foi a quantidade de material utilizado”, conta um fiscal.

Médicos indicam cirurgias desnecessárias para lucrar mais

Entre tanta coisa errada, um golpe se destaca como o mais escandaloso: indicar uma cirurgia sem necessidade, só para ganhar o dinheiro. É o que denuncia o médico Alberto Kaemmerer, que durante 14 anos foi diretor de um grande hospital de Porto Alegre.

“A cirurgia mal indicada, ela acresce um risco muitíssimo importante. Risco de morte”, alerta o cirurgião Alberto Kaemmerer.

O hospital precisou criar um grupo de médicos para revisar os pedidos de cirurgia. Pelo menos 35% eram rejeitados, porque a operação seria desnecessária.

Fantástico: O que que está por trás desse alto percentual de cirurgias desnecessárias na sua opinião?
Alberto Kaemmerer: Ganho financeiro.
Fantástico: De quem?
Alberto Kaemmerer: De médicos e também de alguns hospitais.

Uma experiência parecida foi realizada pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo, um dos principais da América Latina. Durante um ano, uma equipe médica revisou os pedidos de cirurgia de coluna encaminhados por um plano de saúde.

“Nós recebemos aproximadamente 1,1 mil pacientes no período de um ano. E desses, menos de 500 tiveram indicação cirúrgica. Então, muito possivelmente, estava havendo um exagero em relação a essas indicações”, diz Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein.

Indústria de liminares

Dona Wilma, de 76 anos, pode ter sido vítima de uma indústria de liminares para realizar cirurgias às vezes desnecessárias. Ela mal consegue caminhar por causa de um problema na coluna. Também sofre de depressão.

“Eu não consigo me movimentar, pegar uma vassoura, varrer uma casa, aí vem a dor”, conta a aposentada Wilma Prates.

O esquema funciona assim: depois de esperar anos na fila do SUS, pacientes vão até os hospitais para realizar a consulta. Ali, em vez de dar o atendimento pelo sistema público, os médicos encaminham os pacientes a escritórios de advocacia. Com documentos falsos e orçamentos de cirurgia superfaturados, são montados pedidos de liminar para obrigar o governo a bancar os procedimentos. Foi o que aconteceu com Dona Wilma.

“O advogado me disse: ‘Pode deixar comigo que eu resolvo a situação’”, diz José Prates, marido de Wilma.

Mas um laudo indicou que a dona Wilma correria risco de vida se fizesse a cirurgia. Com base nisso, a liminar foi negada pela Justiça.

O Fantástico examinou em detalhes o processo judicial. O advogado apresentou à Justiça três orçamentos de médicos para que os desembargadores escolhessem o de menor valor, que é o do ortopedista Fernando Sanchis. Pedimos a um perito para examinar os papéis.

“Conclusão que ele é o grande suspeito de ter produzido as falsificações das assinaturas, de ter colocado o carimbo e de ter produzido o texto. Eu chego à conclusão que isto aqui é uma fraude”, define o perito Oto Henrique Rodrigues.

O valor do material que seria utilizado na cirurgia era de R$ 151 mil. O fornecedor é a empresa Intelimed, de Porto Alegre. A empresa paga comissões de até 20% aos médicos que indicam seus produtos. Quem admite é um vendedor.

Vendedor da Intelimed: Depende das linhas, 15%, 20%. Nessa linha, nesse valor aí. Isso nos principais convênios. Mas teria que ver direitinho.

Seu João Francisco, de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, também foi usado no esquema. Ele é usuário do plano de saúde dos servidores do Governo Federal.

O advogado indicado pelo doutor Sanchis entrou com um pedido de liminar para que o plano bancasse uma cirurgia de coluna, orçada em R$ 110 mil.

O plano de saúde do Seu João conseguiu suspender a liminar e fez a mesma operação, com outro médico, por pouco mais de R$ 9 mil.

“Essas enrolações, quem é prejudicado é quem tá doente, entendeste? Tu está à mercê dele, você não entende nada”, lamenta o serralheiro João Francisco Costa Da Silva.

Segundo os advogados do governo, os valores que aparecem nas liminares chegam a ser 20 vezes maiores do que os de mercado.

Fantástico: E quem paga essa conta?
Fabrícia Boscaini, procuradora: Quem paga essa conta somos todos nós. Vai ser bloqueado o dinheiro do Estado e esse dinheiro vai sair para pagar um procedimento particular, que teria dentro do sistema.

É o caso de Dona Elisabete, que esperou um ano pela liminar e agora teve que voltar para a fila do SUS.

“Aí é muita cachorrada. Poxa vida, aí eles pegam as pessoas bem inocentes para fazer uma coisa dessas.”, lamenta a balconista Elisabete Steinmacher Cufre.

Pelo menos 65 pedidos de liminar sob suspeita foram descobertos pelos procuradores do Rio Grande do Sul. Um desembargador que atua em alguns desses processos desabafa.

“Que o sistema penal do país está falido, porque no momento em que se encontram situações em que pessoas, seja que área for, profissionais, buscam o Poder Judiciário para realizar uma fraude e conseguir com isso auferir grandes lucros, significa que o sistema está desmoralizado e que estão, inclusive, brincando com o Judiciário. É lamentável”, diz o desembargador do TJ-RS, João Barcelos de Souza Júnior.

Procurado pelo Fantástico, o cirurgião Fernando Sanchis nega que receba comissão de fornecedores de próteses. Mas reconhece que pode ter assinado laudos em nome de outros médicos.

Fantástico: O senhor está admitindo com isso, uma falsificação.
Fernando Sanchis: Não.
Fantástico: Isso não é grave?
Fernando Sanchis: Não, de maneira nenhuma.
Fantástico: O senhor reconheceu que pode ter assinado em nome de outros médicos.
Fernando Sanchis: Mas com conhecimento dele, sempre. Ele trabalha junto com nós.

Por telefone, Henrique Cruz, médico que aparece nos orçamentos e trabalhava com Fernando Sanchis, nega ter autorizado a assinatura e diz que deixou a equipe dele após descobrir a fraude.

“Quando eu vi isso aí, eu caí fora. Eu descobri (que ele estava fazendo isso) porque me mandaram um papel falando assim, o paciente chegou com um papel com esses orçamentos. Aí eu falei, ‘eu não assinei orçamento’”, alega Henrique Cruz.

“Então, o que o consumidor deve fazer? Primeiro: se ele tem dúvida da recomendação desse procedimento, que ele procure um segundo ou um terceiro profissional da área da saúde. O consumidor tem um papel fundamental em não acomodar-se quando a recomendação que está vindo do profissional da saúde é suspeita de alguma coisa que não esteja correta ou que coloque sua vida em jogo”, orienta Alcebíades Santini, presidente do Fórum Latino-americano de Defesa do Consumidor.

Presentes e pagamento de comissões a médicos

A oferta de presentes e o pagamento de comissões a médicos é uma prática comum, e não vem de hoje. Foi o que concluiu uma pesquisa do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, entre 2009 e 2010. Trinta e sete por cento dos entrevistados admitiram que receberam presentes com valor superior a R$ 500 nos 12 meses anteriores à pesquisa. E o assédio começa cedo, logo na faculdade: 74% dos entrevistados disseram que receberam ou viram um colega receber benefícios da indústria durante os seis anos do curso de medicina.

“O Código de Ética Médica veda essa interação, com o intuito de vantagens, com a indústria e/ou a farmácia. Óbvio que as punições são previstas em lei. Estabelece desde uma censura e a até mesmo a cassação do exercício da profissão”, explica Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina.

Mas não é a ética que preocupa os vendedores de próteses que pagam comissões a médicos.

“A gente sabe que esses órgãos não vão discutir nada disso, porque isso é uma discussão sem fim”, diz um vendedor.

O que eles temem é que essas negociatas deixem o sigilo dos consultórios e hospitais e se tornem públicas, em uma reportagem de televisão, por exemplo.

Vendedor: Ano que vem vai ser um ano, para esse mercado, importante.
Fantástico: Por quê?
Vendedor: Porque vai estourar tudo. Porque a gente já sabe que a questão da Receita Federal e a Polícia Federal em cima. Ontem a gente teve informação que provavelmente em meados de janeiro o Fantástico faça uma reportagem com duas especialidades mostrando como funciona esse mercado.
Fantástico: Vamos ali, que o meu colega está aguardando ali.

O repórter Giovani Grizotti se apresenta.

Fantástico: Você disse que o Fantástico vai dar matéria sobre isso? Nós somos do Fantástico. O que você tem a dizer? Você paga propina para médico?
Vendedor: Não eu, não. Jamais.

E quando o vendedor é informado que vai aparecer na reportagem, decide correr, desesperadamente.

Fantástico: Você maquia pagamento de propina na forma de contrato de consultoria? Por que você está correndo? A gente só quer uma explicação sua, por gentileza.

Fantástico procurou todas as empresas mostradas na reportagem

A Life X não quis se manifestar.

Em nota, a Totalmedic disse que respeita as tabelas dos planos de saúde e que vai adotar as medidas cabíveis.

Já a IOL implantes disse que não participa de licitações públicas e repudia insinuações de fraude. Segundo a empresa, a conversa entre o gerente e o repórter aconteceu em ambiente informal e não representa a opinião do fabricante.

Também em nota, a Orcimed afirmou que cobrar comissões se tornou normal no mercado. A Orcimed disse ainda que sofre boicote de médicos por não aceitar a prática do superfaturamento e que, por isso, deixou de fornecer material para diversas cirurgias.

Os diretores da empresa Strehl não foram encontrados.

A Oscar Skin informou que demitiu o vendedor que apareceu oferecendo comissão.

Também por nota, a Intelimed disse que o representante mostrado na reportagem é um funcionário terceirizado. Mas que vai tomar as medidas cabíveis.

 

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Busca por acupuntura triplica no SUS e em planos de saúde – saúde integral em foco

Como já comentado a crescente busca por práticas integrativas em saúde no SUS, mais uma notícias falando sobre a crescente busca por acupuntura. E Estado de São Paulo publicou matéria com entrevista, destacando o crescimento da busca pelo tratamento em unidades do SUS e também na rede privada, através da cobertura por planos de saúde.

A repórter chega a uma importante conclusão, entendendo que “a procura por um cuidado integral, que não apenas trate uma doença específica, mas trabalhe o corpo como um todo e promova a saúde e o bem-estar, é a principal razão para o crescimento dessas práticas”. Essa análise vem de encontro ao que temos falado na Frente Holística, que devemos rever o paradigma de saúde, especialmente do SUS, que foca na doença, e substituirmos por uma abordagem mais holística, que busque a prevenção e promoção da saúde, encontrando o equilíbrio natural.

Essa abordagem, muito mais que gerar um bem estar nos indivíduos que a vivem, pode ter significativos impactos na gestão pública, economizando significativos recursos financeiros e humanos a médio e longo prazo. Talvez seja possível dizer que para cada agulha aplicada, um comprimido é economizado, mas certo é que o bem estar pessoal e coletivo sai ganhando com as práticas integrativas em saúde!

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Acupuntura cresce na rede pública e em planos de saúde

Fabiana Cambricoli – O Estado de S. Paulo

 

Nas unidades do SUS em São Paulo, nº de sessões triplicou em 5 anos; busca por cuidado integral é uma das razões, diz especialista

 

Populares em clínicas particulares, a acupuntura e outras práticas da chamada medicina alternativa têm sido cada vez mais procuradas também por pacientes da rede pública e dos planos de saúde. Só nas unidades estaduais do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo, o número de sessões triplicou em cinco anos, passando de 81 mil, em 2008, para 247 mil em 2013, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.

O aumento também foi observado nos postos do SUS em todo o Brasil, na rede pública municipal de São Paulo e em operadoras de planos de saúde.

Para especialistas e pacientes, a procura por um cuidado integral, que não apenas trate uma doença específica, mas trabalhe o corpo como um todo e promova a saúde e o bem-estar, é a principal razão para o crescimento dessas práticas.

“Esses conhecimentos milenares vêm tendo seus resultados comprovados cientificamente”, afirma Emilio Telesi Jr., coordenador da área técnica de Medicinas Tradicionais, Homeopatia e Práticas Integrativas de Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. “Com o aumento das doenças crônicas e a necessidade de utilização constante de remédios, as pessoas veem o quanto é importante cuidar do todo, mantendo um espaço para a saúde em suas vidas. E é um procedimento que proporciona bem-estar para os profissionais que executam também”, completa.

Melhora. Foi a acupuntura associada à massagem terapêutica e à meditação que permitiu que a nutricionista aposentada Akiko Hachiya Pinto, de 75 anos, superasse os diversos problemas físicos que foram surgindo após ela desenvolver uma depressão, há cinco anos.

Contra depressão. Akiko buscou auxílio na rede municipal
“Quando me aposentei, eu tinha vários planos, mas percebi que meu corpo, minha mente e minha condição financeira não permitiam que eu fizesse tudo o que sonhava e comecei a ficar deprimida. Só que isso teve reflexos no meu corpo. Tive pneumonia, gastrite e um problema no nervo da perna. Não conseguia mais andar”, conta ela.

Há cerca de seis meses, Akiko foi aconselhada por uma médica com quem tinha trabalhado a procurar o Centro de Referência em Homeopatia, Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas de Saúde da Prefeitura de São Paulo, na zona sul da capital.

“Comecei a fazer acupuntura e a passar com o homeopata também. A medicina oriental mexe com o sistema todo, faz com que você entenda o porquê de determinada dor. No meu caso, não adiantava tratar só as doenças, os sintomas, se eu não me cuidasse integralmente”, afirma a nutricionista, que voltou a andar graças ao tratamento com as agulhas.

“A acupuntura me ajudou muito. E me sinto melhor. Até fiz o almoço de Natal para a família. Respeitando meu ritmo, mas fiz”, comemora Akiko.