Evitar o adoecimento é mais barato e racional – Hylton Luz

O maior problema de saúde pública do mundo contemporâneo não são as doenças. Nem as mais letais das epidemias das últimas décadas, como a “gripe aviária ou porcina”, ou a “febre hemorrágica” pelo vírus Ebola. Tampouco as enfermidades crônicas que progridem em razão da ampliação da expectativa de vida das populações.

O maior problema de saúde pública atual é o custo. Pelo seu caráter progressivo, em escalada vertiginosa, muito acima da capacidade de geração de recurso pelos estados nacionais. Resultado de dois fatores.

Um fator é o crescimento demográfico que impacta os orçamentos nacionais com a ampliação permanente de despesa para prover o direito à saúde. Outro fator é o aumento progressivo do custo da hegemonia de uma medicina tecnológica que trabalha com a concepção de “combate às doenças”, seja através da cultura da medicalização, seja das intervenções radicais contra as alterações presentes no organismo.

Por esta razão, a Organização Mundial de Saúde recomenda, desde 1978, que os estados nacionais adotem em suas políticas públicas o conceito de “promoção de saúde”, que valoriza a diversidade das práticas, os conhecimentos tradicionais e a adoção de recursos terapêuticos que já estão no local, acessíveis e de baixo custo.

Assim com base no respeito à diversidade formulou a proposta de construir um regime de cooperação e integração entre práticas de saúde e cuidados com a vida para que seja possível racionalizar os recursos existentes e garantir a saúde como um direito imprescindível a todos os cidadãos do mundo.

Desta maneira a diversidade das tradições de cuidado da vida, presentes nas mais diversas culturas e sociedades, são incluídas como tecnologias de promoção da saúde. Práticas populares, seculares e reconhecidas por serem efetivas e seguras, são convocadas a somar nos esforços de evitar o adoecimento. Manter a saúde é muito mais barato do que combater as doenças depois de instaladas.

No tocante ao campo da medicina a ideia de respeito à diversidade e de integração não prosperou, mantendo-se uma dicotomia e um regime de tensão. Os interesses econômicos envolvidos com a propriedade dos saberes científicos hegemônicos não se coadunam com o livre acesso e a desregulamentação dos saberes tradicionais, estabelecendo barreiras que excluem e mantêm as práticas tradicionais em áreas periféricas, sem reflexo nas políticas públicas de saúde.

Assim, devemos apoiar e cobrar a implementação da Portaria 971 do Ministério da Saúde, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) que inclui especificamente homeopatia, acupuntura e fitoterapia, além de abrir espaço para uma ampla gama de práticas tradicionais de cuidado e promoção da saúde, no Sistema Único de Saúde.

Esta decisão ministerial, original e ousada, se orienta pela perspectiva de desenvolvimento tecnológico, qualificação de atores sociais, garantia de segurança para insumos, produtos e usuários, como tal sugere-se apta a superar os impasses e obstáculos que sucederam a proposta de 1978.


 

Hylton Sarcinelli Luz
MÉDICO HOMEOPATA, ESPECIALISTA EM DIREITO E SAÚDE, PRESIDENTE DA AÇÃO PELO SEMELHANTE e COORDENADOR DA CAMPANHA “DEMOCRACIA NA SAÚDE JÁ!“.

 

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4 comentários sobre “Evitar o adoecimento é mais barato e racional – Hylton Luz

  1. Uma parte das verbas destinadas às compras de ambulâncias e outros gastos correlatos, poderia ser empregada na conscientização da população em preservação da saúde. Vendo pelo lado da minha profissão, a Liga Feminina de Combate ao Câncer do RS juntamente com o Hospital de Santa Casa, afirmam que 80% dos casos de câncer estão ligados ao ambiente. No entanto este fato é ignorado e posto em descrédito pela maioria. Inúmeros casos de câncer, depressão, fibromialgia, Alzheimer e mal de Parkinson poderiam ser evitados, apenas tratando o ambiente básico. A OMS já divulgou há muitos anos o fato por ela denominado de “Síndrome do Edifício Enfermo”, onde o ambiente adoece as pessoas. O crescimento da poluição eletromagnética nos ambientes e as microondas do sistema de telefonia celular, segundo raras pesquisas mas inúmeras comprovações, é um fator nocivo a ser considerado.
    Isnar Amaral – Consultor Ambiental,Geobiólogo,Especializando em Gestão da Qualidade Para o Meio Ambiente

    Curtido por 1 pessoa

    1. Prezado Isnar Amaral, seus comentários são pertinentes e o nosso grande desafio é trabalhar para formar massa crítica com vista a consolidar a reunião de todos os atores das PIC, tanto usuários quanto profissionais, de forma a gerar números para dar visibilidade ao coletivo e caracterizar a demanda da sociedade. Para registrar a demanda tanto na perspectiva do número, quanto dos locais, temos o Abaixo Assinado “Democracia na Saúde Já!” que pode colaborar para atingirmos estes objetivos. O formulário de coleta de assinaturas está disponível em http://ecomedicina.com.br/site/conteudo/parte.asp

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