Medicação e divã perdem a liderança para instrumentos musicais no tratamento de crianças

As últimas décadas apresentam um notável fenômeno: de uma hora para outra descobrimos que nossas crianças são extremamente instáveis, ansiosas, bipolares, sem capacidade de manter atenção (mais uma série de desequilíbrios) e, naturalmente, precisam de tratamento psiquiátrico com uma boa dose de medicamentos.

Naturalmente não é preciso muita reflexão para compreender que não são exatamente as crianças das últimas décadas que tem o problema, mas sim entender que existem outras explicações possíveis para esse quadro, as quais podem atuar de forma conjunta, por exemplo:

  • As crianças sempre foram mais ou menos assim, nós que desaprendemos a lidar com elas e educá-las, assim, achamos que elas têm um monte de problemas que não seremos capazes de resolver;
  • Essa inabilidade explica um pouco do boom de diagnósticos de doenças comportamentais, seguido do seu tratamento com diferentes drogas, o estímulo ao uso fácil dos medicamentos pode estar mais interessado na venda de remédios do que na saúde das crianças;
  • Nossa sociedade mudou muito em poucos anos (menos de uma geração) e não estamos tendo sucesso em compreender este mundo e apresentá-lo às crianças de forma que elas não sejam afetadas mais que o normal;

Fato é que a indústria farmacêutica não tem do que reclamar nos últimos tempos, já que certos remédios não saem das receitas dos médicos. Esta situação, em especial ao fenômeno da ritalina no Brasil, já foi destacada pelo deputado federal Giovani Cherini, fundador e presidente da Frente Holística, em discurso, confira um trecho:

Na verdade, aumenta em todo o Brasil a demanda por Ritalina, nome comercial do metilfenidato, medicamento utilizado para controlar as crianças. Milhões de caixas são consumidos anualmente no Brasil. Eu disse milhões!
Segundo levantamento feito pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, houve um crescimento de quase 50% na venda de remédios à base de cloridrato de metilfenidato no Brasil, entre 2008 e 2012. Entre setembro de 2007 e outubro de 2008 foram vendidas 1.238.064 caixas; enquanto entre setembro de 2011 e outubro de 2012 as vendas cresceram para 1.853.930 caixas. São números assustadores!
O mesmo jornal publicou recentemente o depoimento da psicanalista e professora da Universidade de São Paulo, Kátia Forli Bautheney, em que ela afirma que 70% dessas crianças não precisam tomar o remédio. E não precisam mesmo.

Obviamente o objetivo não é condenar o medicamento ritalina, que sem dúvida têm diversas aplicações entre crianças, adultos e idosos, mas sim o seu evidente uso abusivo. Não é natural que exista um crescimento tão grande em tão pouco tempo. Entre os obejtivos da Frente Holística está justamente a promoção e manutenção da saúde, compreendendo que está não se dá no diagnóstico de doenças e mais e mais tratamentos para conter sintomas.

Entrando finamente no tema título desta publicação, diversos estudos mostram que a música pode ser tão ou mais eficiente no tratamento de crianças do que o psiquiatria e seus remédios. O site Tendencias 21 publicou mais um estudo demonstrando as conclusões que comentamos aqui: “Segundo o estudo da Escola Médica da universidade de Vermount, Estados Unidos, a prática da música ajuda aos pequenos a focar sua atenção, controlar suas emoções e diminuir sua ansiedade. Os cientistas concluíram que a prática musical pode ajudar psicologicamente mais à algumas crianças que um tratamento médico, portanto ela deveria popularizar-se desde a infância.” A matéria ainda cita outros dois estudos de diferentes instituições chegando a conclusões sobre o “poder da música” especialmente nas crianças.

Um dos pesquisadores, surpreso com o resultado, diz “Nunca tentamos usar coisas positivas como tratamento”, logo entendemos que, segundo o paradigma atual de saúde, precisamos intervir com “n” tratamentos e remédios (negativos, por sinal) para conter os sintomas e voltar a um estado tido como saúde. A Frente Holística prega a prevenção e a promoção da saúde, sendo que as práticas integrativas em saúde têm muito a contribuir, uma visão holística do ser humano.

Quantas crianças absolutamente saudáveis não são submetidas a tratamentos desnecessários? O quão isso de fato afeta a sua saúde a longo prazo? Qual será o custo disto à sociedade e ao poder público?

Confira a matéria do Tendencias 21 e deixe o seu comentário abaixo!

Un estudio revela que la práctica musical ayuda además a los pequeños a centrar su atención y a controlar sus emociones

Según un estudio de la Escuela Médica de la Universidad de Vermont (EEUU), el entrenamiento musical ayuda a los pequeños a centrar su atención, controlar sus emociones y a disminuir su ansiedad. Los científicos concluyen que la práctica musical puede ayudar psicológicamente más a algunos niños que un tratamiento médico y que, por tanto, debería generalizarse desde la infancia.

Fuente: Encyclopædia Britannica Online.

Los niños que estudian violín o piano podrían aprender algo más que música. Según un estudio de la Escuela Médica de la Universidad de Vermont (EEUU), el entrenamiento musical también ayuda a los pequeños a centrar su atención, controlar sus emociones y a disminuir su ansiedad.

Los autores de la investigación, los psiquiatras James Hudziak y Eileen Crehan, afirman que esta es “la más extensa sobre la relación entre la actividad de tocar un instrumento musical y el desarrollo cerebral”. En ella se analizaron los escáneres cerebrales de un total de 232 niños de edades comprendidas entre los seis y los 18 años.

Variaciones en el grosor de la corteza cerebral

A medida que los niños se hacen mayores, el espesor de su corteza cerebral –que es la capa más externa del cerebro- sufre algunos cambios.

En análisis previos sobre este aspecto, Hudziak y su equipo habían descubierto que el engrosamiento o el adelgazamiento de la corteza en áreas específicas del cerebro podían indicar la aparición de ansiedad y depresión en los pequeños; de problemas de atención, de agresividad o de control de la conducta; incluso en niños sanos (sin diagnóstico de trastorno o de enfermedad mental).

Con el presente estudio, Hudziak quería ver si, por el contrario, una actividad positiva, como la formación musical, podía influir en dichos indicadores corticales.

Resultados obtenidos

Sus resultados revelaron que tocar un instrumento altera las áreas motoras del cerebro, porque esta actividad requiere del control y de la coordinación de movimientos.

Pero no solo eso: se constató que la práctica musical influía en el grosor de una parte de la corteza relacionada con la función ejecutiva (que incluye la memoria de trabajo, el control de la atención y la capacidad de planficación); y también en el de áreas del cerebro que juegan un papel crucial en la capacidad de autocontrol y el procesamiento de emociones.

Hudziak concluye a partir de estos resultados que tocar el violín o el piano puede ayudar psicológicamente más a un niño o niña que lo necesite que un tratamiento médico. “Nunca intentamos usar cosas positivas como tratamiento”, señala. Sin embargo, este estudio ha constatado “la importancia vital de encontrar vías nuevas e innovadoras para hacer que la preparación musical esté disponible por extenso para todos los jóvenes, empezando por la infancia”, afirma el investigador.

Efectos de la música en la memoria y la inteligencia

En 2006, ya un experimento desarrollado por psicólogos canadienses comprobó que la enseñanza musical acelera el desarrollo de la corteza cerebral de niños de escuela infantil y primaria, con un efecto positivo sobre la memoria y la atención de los más pequeños.

Los científicos explicaron entonces que esta mejora de la capacidad de memorización -alcanzada gracias a la música- facilitaba a su vez el aprendizaje de la lectura, de la escritura y de las matemáticas, así como el desarrollo de la capacidad de ubicarse en un entorno e incluso el coeficiente intelectual.

En 2008, otra investigación sobre la relación entre la música y el cerebro estableció que los niños que tocan un instrumento una media de dos horas y media a la semana desarrollan un 25% más el cuerpo calloso, la zona que conecta los dos hemisferios cerebrales y que ayuda a la coordinación de ambas manos.

Los investigadores descubrieron también que el incremento en el cuerpo calloso es directamente proporcional al rendimiento en una prueba no musical en la que los niños presionaban secuencias en un teclado de ordenador.

Referencia bibliográfica:

James Hudziak, et al. Cortical Thickness Maturation and Duration of Music Training: Health-Promoting Activities Shape Brain Development . Journal of American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (2014). DOI: 10.1016/j.jaac.2014.06.015.

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