Busca por práticas integrativas no SUS só aumenta desde 2008

As práticas integrativas em saúde abarcam um grande conjunto de práticas, muitas delas já tradicionais e amplamente conhecidas popularmente, que focam na harmonização do ser humano e na manutenção e promoção da saúde. Devido ao paradigma convencional de saúde, que tem a tendência a focar-se na doença e na manifestação dos seus sintomas, a adoção de tais práticas ficou de fora do Sistema Único de Saúde do Brasil. Desde 2006, com o lançamento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Comple­men­­­tares (PNPIC) esse cenário vem mudando significativamente.

O próprio lançamento da Frente Holística é uma necessidade de estruturação e trabalho em conjunto para uma plena e positiva adoção das práticas integrativas pelo SUS, sendo este um de seus objetivos. Diversas iniciativas e experiências de adoção das práticas integrativas pelo poder público tem sido adotadas pelo Brasil. O DF lançou recentemente a Política Distrital de Práticas Integrativas em Saúde no VI Simpósio de Práticas Integrativas, somando uma valiosa experiência a esse grupo.

Com a oferta destes tratamentos em unidades do SUS, os resultados soltam aos olhos, gerando a satisfação da população e, um dado que ainda está para ser estudado e analisado, economia e bem estar para a sociedade. Como as práticas integrativas tratam mais da origem da doença e da manutenção da saúde, concebendo ambas de forma holística, quantos recursos econômicos e de pessoal não são poupados pelo estado? Quantos leitos hospitalares, filas em emergências, remédios não são poupados? Quão melhor é uma sociedade composta por cidadão saudáveis e bem dispostos, trabalhando, aprendendo e convivendo?

 

Veja a reportagem da Gazeta do Povo, analisando a busca pelas práticas integrativas no SUS no Brasil e no Paraná:

 

Fonte:
Fonte: Gazeta do Povo

Terapias “alternativas” ganham destaque em consultas do SUS

Nos últimos quatro anos, as sessões de acupuntura feitas pelo SUS triplicaram. Procura por pilates e ioga também deu um salto

Acupuntura, homeopatia, remédios derivados de plantas, sessões de eletroestimulação e aulas de tai chi chuan, que até pouco tempo eram práticas de saúde pouco corriqueiras, deram um salto no país nos últimos sete anos, quando os serviços passaram a ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A situação começou a mudar em 2006, quando foi elaborada a Política Nacional de Práticas Integrativas e Comple­men­­­tares (PNPIC), que agregou a medicina integrativa (o nome correto dado à área) ao sistema. As sessões de acupuntura saltaram de 148,6 mil em 2008, quando o sistema de informações Datasus passou a fazer o monitoramento, para 440 mil em 2012. Já as práticas corporais, que incluem tai chi chuan, pilates e ioga, passaram de 647 mil em 2008 para 3,8 milhões em 2012.

No Paraná, em 2008, foram feitas 822 sessões de acupuntura com agulhas (há outras modalidades, como aquela feita com ventosas). No ano passado, o número subiu para 5,2 mil, quase sete vezes mais que há cinco anos. As práticas corporais, na comparação entre os dois anos, aumentaram de 12 mil para 149 mil.

Em outras especialidades, porém, o estado deixa a desejar, como na de fitoterapia e eletroestimulação. Tais serviços são, em 90% dos casos, oferecidos pela rede básica de saúde, ou seja, pelo município, mas as cidades do interior não têm condições de oferecer as especialidades. Curitiba, por sua vez, deixou de ofertar os fitoterápicos na gestão anterior.

Mais procurados

Entre as especialidades mais procuradas estão justamente aquelas que são mais oferecidas pelos municípios, como a homeopatia e a acupuntura. Em Curitiba, o Ambulatório de Homeopatia existe desde 1992, e a procura tem crescido a cada ano, de acordo com o médico pediatra e homeopata Pedro Lewiski, que atua na rede municipal há 20 anos. Desde então, de acordo com ele, a especialidade tem ganhado cada vez mais aceitação de colegas de outras áreas, como neurologistas, clínicos-gerais, psiquiatras e ginecologistas, que fazem o encaminhamento dos pacientes para o ambulatório.

“Nem sempre o remédio alopata tem eficácia, então nós associamos o tratamento convencional ao homeopático, daí o termo medicina integrativa, pois há uma integração entre as especialidades. E os resultados são muito satisfatórios, pois o remédio é feito na medida para o paciente. As consultas também são mais longas, duram de 45 minutos a uma hora”, explica o médico.

No caso da acupuntura, os principais pacientes são idosos, afirma o médico acupunturista Mário Leitão, que atende no Ambulatório de Acupuntura, criado em 2001. “O paciente sai da sessão e já sente a diferença. Não há necessidade de passar no balcão da farmácia, não há efeitos colaterais e o método é seguro, pois o paciente só chega aqui após ter passado por um especialista que faz o encaminhamento.”

Descentralização – Desafio em Curitiba é ampliar atendimentos para os bairros

A medicina integrativa em Curitiba, no que se refere às especialidades de homeopatia e acupuntura, está relativamente consolidada, já que os ambulatórios na área existem, respectivamente, desde 1992 e 2001. O desafio da administração municipal é ampliar a oferta, já que hoje o serviço só é oferecido – via encaminhamento pelas unidades básicas de saúde – no Centro de Especialidades da Matriz, na Rua Doutor Muricy, no Centro. São apenas três homeopatas e sete acupunturistas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, em 2014 o órgão pretende descentralizar o atendimento, para que ele deixe de ser ofertado só no Centro. Neste ano, está sendo feito o mapeamento de quantos médicos com residência em Pediatria e Clínica Médica, por exemplo, também são homeopatas e acupunturistas. A partir daí, se iniciará um plano para equipar as 109 unidades básicas de saúde com esses profissionais.

Em relação às outras áreas, como fitoterapia, eletroestimulação e práticas corporais, o superintendente de Gestão da secretaria, Helvo Slomp Júnior, afirma que a previsão é que alguns serviços sejam ofertados em 2014. “Estamos estudando a aquisição de fitoterápicos industrializados que hoje são oferecidos pelo SUS”, diz.

No caso das práticas corporais, que estão limitadas a algumas unidades de saúde, como a da Ouvidor Pardinho, responsável por atendimentos à terceira idade, o superintendente afirma que está sendo estudado um plano, em conjunto com a secretaria de Esporte, Lazer e Juventude, para a aquisição de novos espaços esportivos.

Satisfação

“Não queria receber alta”, diz paciente de Curitiba

Os idosos que são atendidos pelos profissionais de acupuntura e homeopatia do Centro de Especialidades da Matriz, em Curitiba, se dizem satisfeitos com o serviço, embora ele ainda se concentre em um só lugar da cidade e existam filas para a primeira consulta e para as subsequentes.

A dona de casa Eunice Kostituk Neves, 68 anos, foi encaminhada para o serviço pela primeira vez há três anos, por causa de dores na coluna e depressão. Após alguns meses, foi liberada pelo médico, a contragosto. “Não queria ter alta, mas sabia que havia muita gente na fila esperando, e não tinha o que fazer. Você sente a diferença já na primeira consulta”, elogia.

Após voltar a sentir dores, foi novamente encaminhada, e sentiu alívio, pois os antinflamatórios não estavam surtindo efeito. A sensação de bem-estar é idêntica para a dona de casa Janes Nair Juliano, 56 anos, que realizou a segunda consulta por causa de um problema crônico na coluna que já a submeteu a quatro cirurgias para implante e retirada de pinos no local. “A dor desaparece, você dorme melhor, a qualidade da vida aumenta. É muito bom ter essa especialidade [no SUS]. Só tem que oferecer mais sessões, se eu pudesse vinha todo dia”, brinca.

Legislação

Instituída em 2006, a Portaria nº 971 estabeleceu que um conjunto de especialidades e práticas na área de Medicina Integrativa e Complementar passasse a ser ofertado pelo SUS por meio da rede básica de saúde, assim como as diretrizes, normas técnicas e protocolos que as secretarias de saúde devem seguir ao ofertar esses serviços.

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